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Cientistas usarão de DNA na busca “final e definitiva” pelo Monstro do Lago Ness

Técnicas genéticas avançadas serão usadas para vasculhar o lago em busca da criatura. Quem sabe achando coisas mais deste mundo no caminho

quinta 24 maio, 2018
Não, isto não é uma fotografia
Não, isto não é uma fotografia Foto:Shutterstock

Um plesiossauro vivendo sozinho, 66 milhões de anos após sua suposta extinção. Que tem no mínimo 1450 anos: foi avistado primeiro no ano 567 pelo missionário São Columba, que deu nele uma bronca após ter matado um homem e milagrosamente acalmou a fera, impressionando os pagãos. Cuja foto mais famosa foi, em 1999, revelada como um submarino de brinquedo coberto por um molde:

Robert Kenneth Wilson, 1934

Não foi o suficiente para deter a equipe internacional de cientistas que pretende dar o que chamam de "resposta final e definitiva” ao mistério. A inciativa se chama Super Natural History — um trocadilho com a palavra supernatural  (“sobrenatural”), mas que é lido como o mais científico “Super História Natural”. 

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O que eles vão fazer é vasculhar o lago, recolhendo 300 amostras da água em diferentes profundidades. Nessas amostras está presente o DNA ambiental: rastros genéticos deixados por qualquer coisa que os bichos larguem na água — urina, fezes, escamas, restos de pele. Esse DNA será comparado com o de diversos bancos de dados contendo sequências genéticas de espécies conhecidas.

O Super Natural History irá testar três hipóteses. Uma, que Nessie — como é carinhosamente chamado pelos escoceses — seja um réptil, comparando o DNA com o de répteis modernos. A segunda, que se trate apenas de um enorme peixe. E a final é que haja no lago outra... coisa. Esta aparecerá se acharem DNA completamente desconhecido.

Achar Nessie é “muito, muito improvável, pra não dizer impossível”", afirma o geneticista Philip Francis Thomsen, da Universidade de Aarhus (Dinamarca), ao LiveScience. Ele fez uso da mesma técnica, mas não está na iniciativa. Se acharem Nessie, “eles bem que poderiam também achar um unicórnio cor-de-rosa”. 

Os cientistas que criaram a iniciativa não estão pondo suas reputações na reta por nada. Eles sabem disso. “Acredito que vamos achar muitas coisas que serão notícia, mas é improvável que topemos com algo que explique o mito”, afirma o líder do projeto, Neil Gemmell, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia. Por notícias, ele quer dizer que talvez novas espécies sejam encontradas, provavelmente não tão espetaculares. Um outro estudo do tipo, ele lembra, achou uma espécie de truta desconhecida num lago próximo. “Se fosse só uma caçada ao monstro, eu não estaria participando.”

Gemmell tem certeza que, se nada aparecer, ainda assim as pessoas continuarão a acreditar no monstro. Eles irão dizer, segundo ele: “Nessie estava escondido. Nessie estava em férias fora do lago. Ou até: Nessie não tem DNA porque é mitológico/alienígena”. 

Fábio Marton


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