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Formada no 'início' do Universo: Cientistas fotografam estrela mais distante já descoberta

O astro gigante está a nada menos que 28 bilhões de anos-luz da Terra

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 05/04/2022, às 15h33

Fotografia da estrela tirada pelo Telescópio Hubble
Fotografia da estrela tirada pelo Telescópio Hubble - Divulgação/ NASA

Uma equipe de astrônomos foi capaz de encontrar, com a ajuda do Telescópio Hubble, a estrela mais distante — e mais antiga — de que temos registro. A impressionante descoberta foi publicada na revista Nature na quarta-feira passada, 30. 

O astro recém-encontrado está há 28 bilhões de anos-luz de distância de nós, de forma que sua luz viajou por tanto tempo para nos alcançar que a esse ponto a estrela que a gerou já morreu, provavelmente explodindo em uma supernova

Um dos detalhes mais interessantes a respeito da descoberta é que o corpo celeste, que foi nomeado de Earendel (que significa "estrela da manhã" em inglês arcaico) apenas foi observado graças a uma coincidência cósmica.

Foi o improvável alinhamento entre duas galáxias o responsável por impulsionar os raios gerados pela estrela, assim permitindo que o Hubble conseguisse descobri-la. 

Conforme as estimativas dos cientistas, Earendel tinha entre 50 e 500 vezes a massa de nosso Sol, e era pelo menos um milhão de vezes mais brilhante.

A imagem que capturamos dela, vale mencionar, é de 12,8 bilhões de anos atrás, ou seja, apenas 900 milhões de anos após Big Bang, o início do Universo como conhecemos. 

"À medida que examinamos o cosmos, também olhamos para trás no tempo, então essas observações de alta resolução extrema nos permitem entender os blocos de construção de algumas das primeiras galáxias", explicou Victoria Strait, coautora do estudo, conforme o LiveScience. 

"Quando a luz que vemos de Earendel foi emitida, o Universo tinha menos de um bilhão de anos; apenas 6% de sua idade atual", completou ela. 

Para colocar a descoberta em perspectiva, é importante levar em conta que Ícaro, a última estrela a segurar o recorde que agora pertence a Earendel, se formou 4 bilhões de anos após o Big Bang, muito mais tarde. 

"Estamos literalmente entendendo de onde viemos, porque somos feitos de um pouco dessa poeira estelar", afirmou Jane Rigby, astrofísica da NASA que esteve envolvida no achado sem precedentes.