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Cientistas querem ‘reviver’ rato extinto que vivia na Austrália há quase 120 anos

A expectativa é recriar a espécie do rato da Ilha Christmas por meio da reconstituição do seu genoma

Isabela Barreiros Publicado em 14/03/2022, às 13h11

Ilustração do roedor da espécie extinta Rattus macleari
Ilustração do roedor da espécie extinta Rattus macleari - Joseph Smit via Wikimedia Commons

Uma equipe de paleogeneticistas está tentando “reviver” uma espécie extinta de rato que vivia na Austrália há 119 anos, seguindo uma tendência científica conhecida como deextinção, geralmente voltada para animais grandes como mamutes ou dinossauros.

De acordo com a pesquisa, publicada no periódico científico Current Biology, a expectativa é poder recriar a espécie de roedor Rattus macleari, também identificada como rato da Ilha Christmas, que acabou sendo extinta por conta de doenças trazidas por navios europeus.

Os cientistas da Universidade de Copenhagen estão tendo sucesso no estudo porque, para que consigam “reviver” um animal extinto, necessitam do genoma sequenciado da espécie. No caso do roedor, eles puderam obter quase todo o DNA, mas a partir de outro animal.

Foi possível descobrir que o Rattus macleari compartilha cerca de 95% do seu DNA com o rato marrom da Noruega, que ainda habita o país. A partir disso, o genoma é comparado com uma espécie viva e é possível “editá-lo” para condizer com o da extinta.

"É o caso perfeito, porque quando você sequencia o genoma, é necessário ter uma referência atual muito boa para poder compará-lo", destacou em nota Tom Gilbert, geneticista e autor da pesquisa, como reportou a revista Galileu.

Ainda assim, não foi possível identificar alguns genes importantes durante o estudo, como o do olfato, que indicaria que a réplica seria incapaz de processar cheiros. Ele explicou: “Com a tecnologia atual é muito difícil recuperar toda a sequência genética, tornando impossível gerar uma réplica perfeita do rato da Ilha Christmas”.

“Está muito claro que nunca conseguiremos obter todas as informações para criar a réplica perfeita de um animal extinto”, refletiu o pesquisador. "Sempre será algum tipo de espécie híbrida. Acho que é uma tecnologia fascinante, mas é preciso se perguntar se esse é o melhor uso dos recursos ao invés de manter vivas as coisas que ainda estão aqui”.