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Você viu? Cientistas recriam perfume de Cleópatra: 'Base picante acompanhada de doçura'

Como teria sido a fragrância usada pela última rainha do Egito? Com este estudo, estamos cada vez mais perto; veja a descoberta divulgada na última semana

Isabela Barreiros Publicado em 10/05/2022, às 10h45 - Atualizado em 14/05/2022, às 08h00

A rainha por Alexandre Cabanel (1887)
A rainha por Alexandre Cabanel (1887) - Alexandre Cabanel, Wikimedia Commons, Domínio Público

Uma essência que se parece com o perfume que Cleópatra usou enquanto reinava o Egito Antigo foi recriada por cientistas a partir de uma combinação de receitas históricas de textos hieróglifos, expedições arqueológicas, análise química e muita tentativa e erro.

Por muito tempo, tudo o que a ciência sabia sobre essas fragrâncias estava em registros não tão fáceis de serem entendidos: o significado exato dos hieróglifos dessas receitas foi se perdendo e se tornou difícil reproduzir o perfume de maneira fiel.

O que se sabe ao certo são os nomes dos óleos usados ​​em ritos funerários e rituais do templo da época de Cleópatra, que puderam ser entendidos a partir, principalmente, de um livro de receitas atribuído à rainha após sua morte. No entanto, sua composição é incerta.

Em 2012, porém, pesquisadores se animaram com a descoberta do que pode ter sido uma fábrica de perfumes no passado em Thmouis, uma extensão de Mendes, conhecida por suas fragrâncias em todo o Mediterrâneo.

A partir dos resíduos coletados no fundo de ânforas — como são chamados os antigos vasos cerâmicos que armazenavam produtos e, neste caso, provavelmente perfumes — encontradas na região, os especialistas puderam recriar o possível cheiro de Cleópatra.

Perfume da rainha egípcia

Com esse conhecimento em mente, uma equipe de pesquisadores reproduziu o aroma em 2019, exibindo o resultado do projeto aos visitantes da exposição Queens of Egypt do National Geographic Museum, que puderam ter uma ideia do cheiro da rainha.

No perfume exposto, havia cardamomo, canela e azeite de oliva em uma base de mirra, resina aromática extraída de uma planta homônima, como relatou o portal Gizmodo, do UOL. Ainda assim, esse provavelmente não é o produto final desse estudo.

Isso porque a receita ainda não é considerada conclusiva por muitos pesquisadores que, com a análise, publicaram, em setembro de 2021, um artigo em que descrevem a pesquisa no periódico científico Near Eastern Archaeology.

No texto, os cientistas escrevem que “a base para perfumes e unguentos [egípcios] era óleo vegetal ou gordura animal, em vez de nosso álcool moderno”.

“Os aromas foram criados através da fumaça da queima de resinas perfumadas, cascas e ervas (‘perfume’ deriva de per fumum ‘através da fumaça’), ou através da maceração por resinas, flores, ervas, especiarias e madeira embebidas”, acrescentaram.

A dupla de especialistas, formada por Dora Goldsmith, da Universidade Livre de Berlim, e Sean Coughlin, da Universidade Humboldt de Berlim, ambas na Alemanha, usou fluorescência de raios-X, combinada a textos históricos, para recriar o cheiro.

“Uma constelação de variáveis ​​produziu um aroma extremamente agradável, com uma nota de base picante de mirra e canela recém-moídas e acompanhada de doçura”, afirmaram os dois no estudo.

Eles usaram uma variedade de ingredientes e métodos de cozimento para reproduzir o famoso perfume “Mendesiano”, segundo reportou o IFLScience. Fora o próprio lodo do Nilo usado para fazer os recipientes e os resíduos da cerâmica.

Além de podermos finalmente sentir como seria o cheiro de Cleópatra , também conseguimos avaliar o tempo de validade do odor, visto que existem relatos de que os perfumes egípcios mantinham sua qualidade mesmo quando transportados para outros locais.