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Cientistas tentam criar faca com fezes humanas para confirmar mito de livro

O livro Shadows in The Sun instigou a mente de pesquisadores dos EUA, que queriam investigar uma bizarrice

Fabio Previdelli Publicado em 16/09/2019, às 14h41 - Atualizado às 14h42

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- Reprodução

O antropólogo Metin Eren junto com seus colegas da Universidade de Estadual de Kent, em Ohio, Estados Unidos, decidiu investigar uma bizarrice do livro Shadows in the Sun, escrito pelo canadense Wade Davis.

Na trama, um homem inuíte — membros da nação indígena esquimó que habitam as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia — tem todas suas ferramentas confiscadas por sua família, mas a partir das próprias fezes ele cria uma faca com a qual mata um cachorro e usa a caixa torácica do animal como um trenó para fugir durante a noite.

Cientistas tentaram fazer uma faca feita de fezes / Crédito: Reprodução


Essa história tornou-se um dos contos etnográficos mais populares de todos os tempos, recontado inúmeras vezes em outros livros, documentários e sites. Por isso, os cientistas bem que tentaram, mas falharam na missão de criar um objeto cortante a base de excremento humano. A lâmina não conseguiu cortar a pele de porco, músculo e tendões que foram adquiridos especialmente para esse teste.

Como foi produzida a faca?

Durante oito dias, Erin mudou sua dieta para se adaptar melhor aos padrões alimentares dos inuítes (comendo alimentos ricos em proteínas e ácidos graxos e, também, incluindo carboidratos, frutas e vegetais).

Os dejetos eram coletados e depois colocados em um molde de cerâmica em formato de faca ou modelados manualmente. Após isso, eles eram congelados em uma temperatura de -20 graus célsius e afiados com uma lima de metal sob um recipiente de gelo seco.

A faca era afiada com uma lima de metal sob um recipiente com gelo seco / Crédito: Reprodução


“Nem as amostras de molde para facas e nem as facas moldadas a mão conseguiram cortar a pele”, escreveram os pesquisadores em seu artigo. “Apesar de a pele estar fria devido à refrigeração, em vez de cortá-la, a lâmina da faca simplesmente derreteu ao entrar em contato, deixando apenas marcas de material fecal”.

Mas eles não se deram por vencidos, e tentaram repetir o experimento com o excremento fornecido pelo Doutor Bebbera, que consumia uma dieta mais calórica, incluindo alimentos como hambúrgueres, espaguete, anéis de cebola e batatas frita.

“No entanto, essas facas também não cortaram a pele [...] Por curiosidade, tentamos cortar a gordura subcutânea na parte de baixo da pele. Com alguma dificuldade, apenas a mais rasa das fatias podia ser produzida, e o fio da faca ainda derreteu e deteriorou-se rapidamente”, concluíram.

Apesar dos esforços, eles não obtiveram resultados positivos / Crédito: Reprodução


Ao melhor estilo Mythbusters, o mito não foi confirmado, mas as conclusões da pesquisa foram publicadas no Journal of Archaeological Science.