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Colégio de São Paulo vence concurso internacional sediado na Alemanha

Concorrendo com mais de 140 escolas ao redor do mundo, o monumento do Colégio Humboldt foi um dos quatro vencedores

Redação Publicado em 03/03/2021, às 15h00

Imagens do monumento idealizado pelos alunos do colégio
Imagens do monumento idealizado pelos alunos do colégio - Divulgação/Youtube

Na última quinta-feira, 25, o Colégio Humboldt, foi premiado como um dos vencedores do concurso “Erinnern für die Gegenwart” (“Lembrar para o presente”), promovido pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha para as 140 escolas alemãs no exterior.

A cerimônia virtual de premiação aconteceu na Alemanha, mas foi transmitida ao vivo e todas as turmas do 9º do Ensino Fundamental II até o 3º ano do Ensino Médio assistiram acompanhadas de seus professores. Localizada em Interlagos, em São Paulo, a escola é uma instituição bilíngue e multicultural (português e alemão).

Como prêmio, o Colégio recebeu um cheque simbólico no valor de 15 mil euros. As outras três instituições vencedoras foram uma escola alemã de Santiago, no Chile, uma de Atenas, na Grécia, e outra em Istambul, na Turquia.

De acordo com o diretor-executivo da escola, Fábio Martinez, o monumento retrata o passado da Alemanha e as conquistas do presente. "É fundamental que a simbologia do monumento incentive a reflexão sobre um capítulo sombrio da história e a transição para a liberdade e a democracia, para que este capítulo jamais volte a se repetir”.

Para Mathias Rempel, professor de Filosofia e História, a premiação é o reconhecimento do trabalho realizado por toda a equipe envolvida, entre alunos, professores, coordenação e direção. “Foi um trabalho muito bem feito. Então, é um incentivo de continuar com os trabalhos e inspirar outras escolas”, narra.

O projeto do Colégio se chama “DenkMalNach - FragMalNach”, em que DenkMalNach significa "pense sobre isso" e FragMalNach significa "pergunte sobre isso" no sentido de refletir e questionar criticamente sobre os eventos históricos que conhecemos.

Imagem da construção do monumento / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Competição internacional

O concurso contribui para a promoção e a discussão da cultura de memória nas escolas, incentivando-as a lidar com a sua própria história, com seu contexto regional histórico e a refletir sobre o presente.

De acordo com Ronny Möller, professor de História e Educação Física, envolvido na elaboração da proposta, o conceito do monumento permite a reflexão sobre outros temas relacionados, como o da ditadura RDA (República Democrática Alemã) e o da ditadura civil-militar no Brasil em outros subprojetos.

Além disso, também pode ser usado de várias formas durante as aulas regulares, e não apenas para História, Ética, Arte ou Alemão. “O projeto oferece uma grande oportunidade de adotar uma posição clara sobre questões presentes do mundo contemporâneo e, talvez assim, criar algo que possa até proporcionar um alcance que supere os muros da escola”, afirma.

Imagem do monumento já pronto, durante produção de vídeo sobre o concurso / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Longas apurações

Um dos critérios importantes da competição é a participação dos alunos no projeto de forma intensiva e autônoma. No caso dos estudantes da turma do Abitur (curso certificado pelo governo alemão que permite o ingresso em universidades da Europa e universidades privadas brasileiras), as pesquisas foram intensas

Em resumo, os jovens elaboraram questões-chave sobre o nazismo, o totalitarismo e suas consequências fatais. Eles ainda pesquisaram conteúdo, cultura da memória e possibilidades de expressão, além de contribuir com ideias de um local de lembrança nas dependências da escola.

Os alunos foram divididos em dois grupos de trabalho. Um deles, apoiado por Tiago Santos, professor de História, trabalhou em um documentário sobre “memória” no Colégio. O outro grupo lidou com o desenvolvimento da criação e construção do monumento e contou com o apoio de Ronny Möller e Mathias Rempel.

Por fim, o artista Ricardo Ramalho e o arquiteto Luiz Biasi são os responsáveis pelo planejamento e questões de estética artística da obra.

Detalhes no teto do monumento / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Ampulheta simboliza o tempo

Com dimensões de 10 metros de comprimento, 4,65 metros de largura e 3,35 metros de altura, a obra tem o formato de uma ampulheta e representa uma espécie de "buraco de minhoca", uma analogia para uma passagem entre passado e presente.

O monumento é interativo, possibilitando o movimento dentro da construção. Tudo começa pelo lado do “passado”, um período “escuro e sombrio" que representa o totalitarismo. Em seguida, vem uma seção mais baixa que passa para o outro lado, o “presente”, projetado com aspectos positivos, como diversidade, liberdade e democracia.

Após uma análise aprofundada de muitas formas diferentes de monumentos e memoriais, os estudantes desenvolveram suas próprias concepções em um trabalho de equipe, erguido com o apoio do departamento de Artes da escola.

Durante o processo, Patricia Naka, a professora de Artes Visuais do Colégio, e o curador e artista Ricardo Ramalho auxiliaram e orientaram os alunos em diferentes contextos e formas artísticas de monumentos, ampliando o repertório artístico dos estudantes, o que foi fundamental para a elaboração dos diversos modelos de monumento.

 “Todo o ambiente estará repleto de grades de metal, como as de uma prisão, as quais deverão dificultar a passagem. O ambiente do "presente" é projetado de tal maneira que aspectos positivos contrastem com o ambiente do “passado”, traduzidos em diversidade, liberdade e democracia”, finaliza a professora.