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Combatentes da Idade do Ferro tinham tática para humilhar o inimigo, indica estudo

Arsenal de origem celta — datado entre os anos 300 a.C. e o século 1 a.C. — mostra inusitado costume de antigos guerreiros

Fabio Previdelli Publicado em 26/04/2021, às 11h55

Itens do arsenal encontrados dobrados
Itens do arsenal encontrados dobrados - LWL-Archäologie für Westfalen / Hermann Menne

Arqueólogos da Associação Regional de Westphalia-Lippe (LWL), na Alemanha, encontraram um dos maiores estoque bélicos da Idade do Ferro já identificados no país, no oeste do território alemão. Entre os itens estavam fragmentos de escudos, ganchos moedas e equipamentos para montar em cavalos. 

Mas o que, de fato chamou a atenção foram várias armas dobradas, aparentemente, de propósito e 40 pontas de lança. De acordo com os pesquisadores, isso pode indicar que os guerreiros que viveram nesse período possuíam hábitos de “vingança” contra seus oponentes.  

Parte dos itens encontrados / Crédito: LWL-Archäologie für Westfalen / Hermann Menne

 

Segundo os arqueólogos, o gesto tinha o intuito de humilhar o lado que saiu derrotado na guerra. Assim, quem vencesse o conflito, destruía os equipamentos dos oponentes e abandonavam as peças para que ficassem expostas. Isso que foi identificado na região do forte Wallburg Wilzenberg. 

“Essas suposições são baseadas nos resultados de uma pesquisa francesa, que mostra que tais atos ritualísticos na Idade do Ferro, na Europa, ocorreram principalmente na cultura céltica e arredores. Armas de oponentes inferiores eram destruídas ritualmente e geralmente uma batalha precedia essas ações”, explica o arqueólogo da LWL, Manuel Zeiler. 

Os primeiros indícios de tais práticas foram encontrados em 1950, quando um pavilhão estava sendo construído na região do antigo forte. Apesar de espadas dobradas já terem sidos achadas, uma escavação mais aprofundada só ocorreu em 2013. 

Ganchos encontrados durante a expedição/ Crédito: LWL-Archäologie für Westfalen / Hermann Menne

 

Já entre 2018 e 2020, uma nova expedição visou procurar novos artefatos. Com isso, uma centena de itens foi encontrada. Até hoje, visitantes podem ver as paredes do forte Wallburg Wilzenberg. Estima-se que a maior parte dos artefatos encontrados por lá tenha origem celta — sendo datados entre os anos 300 a.C. e o século 1 a.C.. 

Mais informações sobre o estudo podem ser consultados no portal da Live Science