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Como sobrevivente do Holocausto usa TikTok para ensinar jovens?

Durante a 2ª Guerra, Gidon Lev foi enviado para um campo de concentração quando tinha apenas 6 anos

Fabio Previdelli Publicado em 02/05/2022, às 11h13

Gidon Lev, sobrevivente do Holocausto
Gidon Lev, sobrevivente do Holocausto - Divulgação/Instagram/thetrueadventures

Quando tinha apenas seis anos, em 1941, Gidon Lev e seus familiares foram levados pelos nazistas para o campo de concentração e gueto Theresienstadt, na região de Praga, onde hoje é a República Tcheca. 

Por lá, seus pais foram obrigados a fazer trabalhos forçados, mas o seu progenitor teve um destino trágico: foi enviado ao campo de concentração de Auschwitz, na Alemanha, onde foi assassinado. Ele seria apenas um dos 26 parentes que Lev perdeu durante o Holocausto

Cerca de 80 anos depois, Gidon encontrou um jeito de compartilhar suas memórias e ainda educar os mais novos sobre os horrores cometidos pelo Terceiro Reich durante a Segunda Guerra. Usando músicas, hashtags e memes, Lev se tornou o “Vovô TikTok”. 

"Quando penso no modo como os alemães foram cruéis e tão desumanos com outros humanos, não consigo acreditar que essas mesmas pessoas, essa mesma nação nos deu Bach, Händel e Brahms. E então eles fizeram o que aconteceu. Como isso é possível? Mas é", diz em entrevista à BBC. 

E só posso esperar que haja um número suficiente de jovens que saibam o que é certo e tentem fazer o melhor”, continua Gidon, que diz sempre acreditar que "os jovens podem fazer do mundo um lugar melhor".

A vida pós-Guerra

Após o fim do conflito, em 1945, Lev e sua mãe voltaram para casa antes de se mudarem para os Estados Unidos. Ele ainda passaria pelo Canadá até se estabelecer em Israel, em 1959. Em um de seus vídeos, ele mostrou um pingente que seu pai deu à sua mãe antes dele ser enviado à Auschwitz. 

No entanto, Gidon não quer ser apenas um sobrevivente do Holocausto. Ele também se preocupa com a formação dos jovens e rebate aqueles que continuam negando o genocídio e perseguição dos judeus.   

Lev também se manteve muito ativo durante a pandemia do novo coronavírus, pedindo aos seus seguidores que jamais comparassem o atual momento do mundo com o que ele e sua família sofreram no passado — rebatendo quem apontasse semelhanças entre o uso de máscaras de proteção facial com táticas nazistas. 

"Fiquei com tanta raiva, porque essa máscara que usamos é para proteger a nós mesmos e aos outros de adoecer e, às vezes, até de morrer", diz. 

@thetrueadventures#holocaustsurvivor#fyp#learnontiktok#history#neveragain♬ Clocks - Adi Goldstein

Inicialmente, os vídeos na rede serviriam apenas para divulgar o livro que Gidon escreveu ao lado de sua companheira, Julie Gray, “The True Adventures of Gidon Lev”. Porém, o sucesso foi tamanho que eles decidiram transformar isso em algo maior. 

"Para mim, a importância de usar o TikTok é porque existe uma surpreendente falta de educação sobre o Holocausto entre os jovens", aponta Julie. "Então, você pode usar o TikTok – um meio que os jovens gostam – com música, memes e hashtags para ensinar algo."

O que fazemos é inspirar curiosidade e fazer as pessoas dizerem: 'Quero aprender mais'”, completa.