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Notícias / Brasil

Confederação Israelita do Brasil repudia falas antissemitas em podcast

O posicionamento de Monark, apresentador do Flow Podcast, gerou diversas polêmicas nesta terça-feira, 8

Pamela Malva Publicado em 08/02/2022, às 14h30 - Atualizado às 17h27

Imagem de Monark, o apresentador do Flow Podcast - Divulgação/ Flow Podcast
Imagem de Monark, o apresentador do Flow Podcast - Divulgação/ Flow Podcast

Diante das falas antissemitas de Monark, o apresentador do Flow Podcast, na última segunda-feira, 7, diversas entidades se posicionaram, criticando o episódio. Agora, a Confederação Israelita também se pronunciou sobre a polêmica.

Em nota oficial, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) afirmou que “condena de forma veemente a defesa da existência de um partido nazista no Brasil e o ‘direito de ser anti-judeu’, feita pelo apresentador Monark, do Flow Podcast”.

Acontece que, conforme noticiado pelo site da Aventuras na História, o apresentador chamou atenção nas redes sociais após afirmar, em debate com os deputados Tabata Amaral e Kim Kataguiri, que “tinha que ter partido nazista reconhecido pela lei”.

Em resposta, então, a Conib lembrou que “o nazismo prega a supremacia racial e o extermínio de grupos que considera ‘inferiores’”. “Sob a liderança de Hitler, o nazismo comandou uma máquina de extermínio no coração da Europa que matou 6 milhões de judeus inocentes e também homossexuais, ciganos e outras minorias”, pontuou.

O discurso de ódio e a defesa do discurso de ódio trazem consequências terríveis para a humanidade, e o nazismo é sua maior evidência histórica”, narrou a confederação, por fim.

Em nota, a Federação Israelita do Estado de São Paulo também comentou a polêmica:

“Mesmo contestado pela deputada Tábata Amaral, Monark insistiu que suas falas estariam escudadas no princípio da liberdade de expressão, demonstrando, a um só tempo, desconhecer a história do povo judeu, e a natureza de um princípio constitucional essencial, muitas vezes deturpado por aqueles que insistem em propagar um discurso que incita o ódio contra minorias”, afirmou a entidade.

Nós, da Federação Israelita do Estado de São Paulo, repudiamos de forma veemente esse discurso e reiteramos nosso compromisso em combater ideias que coloquem em risco qualquer minoria. Manifestações como essa evidenciam o grau de descomprometimento do youtuber com a democracia e os direitos humanos”, pontuou, por fim.

Monark se pronuncia 

Após a polêmica nas redes sociais, o apresentador se pronunciou a respeito do episódio. Em um vídeo, de quase nove minutos, ele expressa que é contrário ao nazismo e vê isto como uma posição ‘criminosa, hedionda, nojenta’.

“O nazismo é algo abominável, é um pensamento ridículo, é algo que qualquer pessoa que pense ou tenha essas ideias é uma retardada mental. Na minha opinião, ela é idiota, completa imbecil, é uma pessoa que tem ser educada para que deixe de pensar dessa forma. A gente não pode mais aceitar hoje na nossa sociedade esse tipo de pensamento, criminoso, hediondo, nojento”, afirmou.

Porém, Monark defende o que disse sobre a legalização de um partido nazista, dizendo que é a favor de sua própria versão da liberdade de expressão. Na sua visão, todos deveriam poder dizer o que quiserem, pois assim é mais fácil identificar quem é ‘idiota’.

“Minha ideia de liberdade de expressão é que o cara fale que ele é idiota para que a gente possa saber quem é idiota e possa educar essa pessoa, ou, se for possível, se afastar dessa pessoa. E, se ela estiver cometendo algum crime, punir. É muito mais fácil descobrir quem ela é se a gente deixa ela falar”, posicionou-se.

Além de desculpar-se e retratar-se, afirmando que “estava bêbado ”, o youtuber criticou a suposta ‘cultura do cancelamento’, colocando-se acima das críticas nas redes sociais pois o programa é, em suas palavras, um dos únicos na atualidade que abre conversas com todos dos diversos espectros políticos.

"Essa cultura de cancelamento está um pouco absurda. Eu simplesmente não consigo mais ter conversas no meu programa. Vocês têm que entender que estou lá há quatro horas conversando com pessoas sobre os assuntos mais delicados e complexos que a gente pode falar na nossa sociedade", refletiu.

Em outra parte do vídeo, o apresentador pediu desculpa diante da repercussão nas redes sociais. 

“Galera, eu queria fazer esse vídeo só para pedir desculpa mesmo porque eu errei, a verdade é essa. Eu tava muito bêbado e fui defender uma ideia que acontece em outros lugares no mundo, mas fui defender essa ideia de um jeito muito burro e tava bêbado. Eu falei de uma forma muito insensível com a comunidade judaica. Porra, eu peço perdão pela minha insensibilidade”, explicou Monark em vídeo divulgado nas redes sociais.

Monark continua e pede compreensão.

“Mas peço um pouco de compreensão. São quatro horas de conversa e eu estava um pouco bêbado. Fui insensível, sim, fui insensível e errei na forma como eu me expressei. Dá a entender que eu tô defendendo coisas abomináveis, é uma merda, errei pra caralho. Peço compreensão de vocês e peço desculpas a toda comunidade judaica. Não queria ser insensível e não foi a minha intenção. Convido os representares dessa comunidade para vir conversar comigo e explicar em sobre toda a história. Obrigado”, disse ele.