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Conselho da Inglaterra ignora petições e mantém estátua de governador considerado racista

Ao todo, duas petições para a retirada da escultura já tinham mais de 23 mil assinaturas. "Clive vai cair, não é uma questão de se, mas quando", garantiu manifestante

Fabio Previdelli Publicado em 16/07/2020, às 11h31

Estátua de Robert Clive
Estátua de Robert Clive - Wikimedia Commons

Após uma série de polêmicas nas últimas semanas, o Conselho de Shropshire, na Inglaterra, debateu em uma reunião virtual sobre a remoção ou não da estátua de Robert Clive que fica no centro da cidade de Shrewsbury. As informações são da BBC.

Os manifestantes queriam que a estátua fosse removida devido à história de Robert Clive. Ele ganhou grande riqueza ao estabelecer o poder britânico na Índia em seu papel na Companhia das Índias Orientais. Ao todo, duas petições para a retirada da estátua já tinham mais de 23 mil assinaturas.

Por outro lado, o líder do Conselho, Peter Nutting, disse que se opunha à remoção da estátua e que tinha "massas de apoio a essa postura". O conservador também argumentou que a escultura deveria ficar já que também havia outra dela em Calcutá.

Na reunião, 28 conselheiros votaram para que nenhuma medida fosse tomada em relação a escultura, 17 votaram contra e um deles se absteve. David Parton, que criou uma das petições, disse que ficou "chocado" com a ausência de sentimentos em relação às comunidades minoritárias.

"Somente a remoção completa da estátua mostrará que o conselho leva a sério o racismo”, disse. "Clive vai cair, não é uma questão de se, mas quando. É uma crença de que devemos argumentar isso quando o legado dele resultou em milhões de mortes. Essa decisão é bastante desmoralizante."

“É vital que aprendamos com nosso passado, mas não devemos ter que viver nele. Apesar de mais de 20.000 pessoas pedindo que essa estátua seja transferida para um museu, os membros do conselho optaram por ignorar as preocupações das comunidades minoritárias e se deleitar com o legado assassino de Clive”, completou o ativista que considera o governador britânico uma personalidade “racista”.

Uma contra-petição também foi assinada por mais de 8.000 pessoas, dizendo que removê-la apagaria parte da história da cidade.