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Controversa estátua será retirada após anos de pressão popular no Egito

Os críticos ao monumento do engenheiro francês Ferdinand de Lesseps afirmavam que ele era um símbolo do colonialismo

Isabela Barreiros Publicado em 21/10/2020, às 13h49

Estátua do engenheiro francês Ferdinand de Lesseps
Estátua do engenheiro francês Ferdinand de Lesseps - Divulgação

No último dia 11, autoridades egípcias divulgaram a decisão de retirar uma polêmica estátua de exibição no país, depois de anos de pressão popular que exigia sua remoção. O monumento em questão era uma homenagem ao engenheiro francês Ferdinand de Lesseps, um dos responsáveis pela escavação do Canal de Suez, uma via entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho. 

A estátua foi colocada na entrada norte do canal em 17 de novembro de 1899 e foi tirada de lá em 1956, quando ficou no estaleiro do local, onde permaneceu até pouco tempo. A expectativa do governo local era colocá-la de volta em exposição a fim de aumentar o turismo na região. 

No entanto, após a resolução, ela será levada para a sede do Museu Internacional do Canal de Suez, localizado na cidade de Ismaília, no Egito, após muita tensão popular. Segundo os críticos, o monumento pode ser considerado como um símbolo do colonialismo, expondo os períodos difíceis pelos quais muitos egípcios tiveram que passar.

“No final, o valor do patrimônio é determinado pelas pessoas, e muitas vezes ouvimos falar de figuras históricas influentes que foram removidas em resposta ao público. Este é um fato reconhecido. Somente as pessoas possuem esse direito, e os egípcios veem que De Lesseps matou seus filhos e os usou em trabalhos forçados durante anos de escavação”, afirmou Monica Hanna, reitora da Faculdade de Arqueologia e Patrimônio Cultural.

Segundo o membro do parlamento egípcio, Mustafa Bakri, “ele era um colono e tal estátua não deveria ser colocada na valente governadoria de Port Said”. A fala foi feita durante seu discurso em uma plenária sobre a retirada da estátua feita em 6 de julho deste ano.