Notícias » Pré-História

Cores de vespas de 99 milhões de anos são recriadas em novo estudo

Conservadas em âmbar, os raros insetos passaram por um minucioso trabalho de reformulação

Alana Sousa Publicado em 02/07/2020, às 07h00

Uma das vespas coloridas no estudo
Uma das vespas coloridas no estudo - Divulgação/NIGPAS

Um novo estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, recria as verdadeiras cores de insetos que viveram há 99 milhões de anos. A pesquisa é considerada inovadora porque antes os pigmentos de tais animais pré-históricos eram deixados para a imaginação. A análise foi realizada pelo Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing da Academia Chinesa de Ciências (NIGPAS).

As cores, no entanto, não serviam apenas como uma parte da estética e estrutura externa dos bichos, mas também como atrativos para parceiros em potencial e mantimento de organismo e temperatura do corpo. Para o estudo, foram usados 35 insetos preservados em âmbar, que viveram no período Cretáceo, no país asiático de Myanmar.

As vespas conservadas em âmbar que foram usadas na pesquisa / Divulgação/NIGPAS

 

“O tipo de cor preservada nos fósseis âmbar é chamado de cor estrutural. É causado pela estrutura microscópica da superfície do animal. A nanoestrutura superficial dispersa a luz de comprimentos de onda específicos e produz cores muito intensas. Esse mecanismo é responsável por muitas das cores que usamos”, afirmou o professor Pan Yanhong, do NIGPAS.

Diferente de fósseis encontrados em outras superfícies, os achados em âmbar foram mais bem conservados, isso, pois, esses bichos possuem uma nanoestrutura exoesquelética bem preservada que dispersa a luz. A partir de uma microscopia eletrônica, os pesquisadores foram capazes de recriar as cores.

A análise revelou que entre os raros fósseis estão vespas de cuco com cores verde-azulada, verde-amarelada, azul-arroxeada ou verde metálicas na cabeça, tórax, abdômen e pernas, muito parecidas com a que podemos encontrar hoje em dia, explicou Dr. Cai Chenyang, professor associado do NIGPAS, líder do estudo.