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Crânio de 300 mil anos pode ser de hominídeo que viveu ao mesmo tempo que Homo sapiens

A espécie pode ter pertencido a uma "população fantasma" que existiu na África em um período semelhante ao do antepassado humano

Isabela Barreiros Publicado em 01/04/2020, às 15h47

O crânio de 300 mil anos encontrado na África Central
O crânio de 300 mil anos encontrado na África Central - Divulgação/Museu de História Natural

Um crânio de 300 mil anos, que foi encontrado há quase um século, em 1921, no sul da África central, pode revelar a existência de uma população de hominídeos que viveu ao mesmo tempo que o Homo sapiens. Pesquisadores publicaram um novo artigo na revista cientifica Nature com suas considerações sobre a espécie que pode ter pertencido a uma "população fantasma" na África.

De acordo com os cientistas, o enigmático fóssil pode ter se desenvolvido na mesma época em que o Homo sapiens começou a evoluir no continente africano. Assim, o H. heidelbergensis africano pode ter cruzado com antigo H. sapiens, possivelmente transmitindo uma pequena quantidade de DNA aos atuais africanos ocidentais.

“Agora podemos identificar pelo menos três linhagens [Homo] distintas e contemporâneas na África, cerca de 300 mil anos atrás, mas ainda não sabemos se nossa ancestralidade estava em grande parte ou totalmente contida na parte de H. sapiens dessa variação”, explica o paleoantropólogo Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres.

Por meio do estudo, os especialistas sugerem que populações diferentes, em distintas partes da África, teriam se misturado para gerar o H. sapiens. Ainda assim, a paleoantropóloga María Martinón-Torres, do Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana afirma que "mas neste momento a imagem ainda está embaçada", revelando a necessidade de novas pesquisas sobre o tema.