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Crânio de hominídeo joga luz sobre mudanças climáticas há 2 milhões de anos

Descoberto em uma caverna na África do Sul, em 1938, os ossos foram examinados em nova pesquisa sobre mudanças anatômicas

Wallacy Ferrari Publicado em 11/11/2020, às 10h08

Fotografias do crânio analisado pela equipe de pesquisa
Fotografias do crânio analisado pela equipe de pesquisa - Martin et al ., Doi: 10.1038 / s41559-020-01319-6.

Pesquisas anteriores já apontavam que a espécie de hominídeo Paranthropus robustus viveu em uma época onde, justamente, iniciava o desaparecimento dos Australopithecus e, gradativamente, surgiam os primeiros Homos primitivos.

Agora, em nova pesquisa, uma equipe de cientistas avalia que a mudança das condições ambientais resultou em dificuldades de sobrevivência dos Australopithecus, resultando na transição para as espécies mais resistentes.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade La Trobe, com examinadores da Arizona State University, apontam que a mudança evolutiva é notável na amostra de Paranthropus analisada — coletada em 1938 durante uma escavação arqueológica nas cavernas Drimolen, a noroeste de Joanesburgo, na África do Sul.

O estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, aponta que as características do crânio permitiam o consumo de alimentos mais rígidos, justamente favorecidos pelos vegetais que cresciam em um clima seco. Já os hominídeos anteriores mostravam menos adaptação aos alimentos duros e difíceis de processar, resultando em uma seleção natural ao longo de 200 mil anos.

A Dra. Angeline Leece, pesquisadora da Universidade La Trobe e coautora do estudo, explicou a importância da análise evolutiva: "É muito importante ser capaz de documentar a mudança evolutiva dentro de uma linhagem. Isso nos permite fazer perguntas muito focadas sobre os processos evolutivos".