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Crânio decapitado de líder bizantino com mandíbula de fios de ouro chama atenção

Restos mortais de guerreiro encontrado na Grécia revelaram um tratamento médico sofisticado

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 30/09/2021, às 14h14

Ilustração do guerreiro e mandíbula examinada
Ilustração do guerreiro e mandíbula examinada - Divulgação/Anagnostis Agelarakis

Cientistas descobriram, em 1991, um crânio decapitado de um guerreiro bizantino no forte Polystylon, sítio arqueológico localizado na Trácia Ocidental, Grécia.

Agora, após examinarem os restos mortais, revelam que o homem passou por um procedimento médico sofisticado que fez com que ficasse com uma mandíbula rosqueada com ouro.

Anagnostis Agelarakis, professor de antropologia do Departamento de História da Universidade Adelphi em Nova York, explica que uma análise da mandíbula inferior do líder militar, mostrou que o indivíduo sofreu com uma fratura muito grave, necessitando da ajuda de um médico talentoso, segundo reportou a LiveScience.

Mandíbula do guerreiro / Crédito: Divulgação/Anagnostis Agelarakis

 

"A mandíbula foi quebrada em dois pedaços", disse Agelarakis. Segundo ele, "o médico foi capaz de juntar os dois principais fragmentos da mandíbula" por meio de “algum tipo de fio de ouro, ou algo parecido, como é recomendado no corpus hipocrático que foi compilado no século V a.C.”

"Em uma das dentições, vi que o dente foi limado um pouco para que o nó que estava amarrado no arame não riscaria a bochecha. É muito sofisticado — é espantoso”, completou o pesquisador. 

Ainda segundo o estudo, o ferimento que foi tratado pelo médico provavelmente é anterior à decapitação sofrida pelo guerreiro durante o século 14, que teria acontecido após a captura do seu forte pelos otomanos. "O forte não se rendeu, mas deve ter sido tomado à força", destaca. 

Assim que o local foi tomado pelos otomanos durante a invasão ao Império Bizantino, ele provavelmente foi capturado e decapitado.

Depois disso, a cabeça pode ter sido furtada por alguém sem a "permissão dos subjugadores, visto que o resto do corpo não foi recuperado", e enterrada em um túmulo que já existia no local, de uma criança de 5 anos.

Túmulo onde o crânio foi encontrado / Crédito: Divulgação/Anagnostis Agelarakis

 

Não se sabe exatamente o que causou o trauma que partiu a mandíbula do guerreiro em duas há 650 anos; no entanto, os pesquisadores apontam que a precisão com que o médico realizou o tratamento indica que ele era uma pessoa muito importante para a comunidade em que ele vivia. 

"Ele era o líder militar, muito provavelmente do forte. Portanto, ele foi decapitado pelos otomanos quando tomaram o forte”, ressaltou Agelarakis. 

O estudo completo pode ser lido no periódico internacional Mediterranean Archaeology and Archaeometry.