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Critica de ‘Os Simpsons’ a Mao Tsé-Tung teria sido censurada em Hong Kong

Temporada 16 da série de animação estreou na Disney+ de Hong Kong, mas não conta com episódio que faz referência ao Massacre da Praça da Paz Celestial em 1989

Isabela Barreiros Publicado em 29/11/2021, às 15h33

Cena do episódio “Goo Goo Gai Pan” de "Os Simpsons"
Cena do episódio “Goo Goo Gai Pan” de "Os Simpsons" - Divulgação/Fox Broadcasting Company

A 16ª temporada da série de animação “Os Simpsons” estreou no serviço de streaming Disney+ de Hong Kong, mas sem o 12º episódio, em que a família faz uma viagem à China e que tem referências ao Massacre da Praça da Paz Celestial em 1989. A plataforma americana estreou em Hong Kong neste mês depois de uma longa espera.

A falta do episódio levantou rumores de uma suposta censura na região que funciona como território autônomo.

Disney+ Hong Kong foi procurada pela agência AFP, mas não esclareceu o motivo pelo qual o episódio não estava disponível na plataforma. O governo de Hong Kong também não comentou o assunto.

“Goo Goo Gai Pan” é um episódio que retrata a família Simpsons em uma viagem à China, enquanto eles tentam adotar uma criança. O episódio foi transmitido pela primeira vez em 2005 e apresenta uma série de críticas às tentativas do governo chinês de apagar a memória do povo chinês sobre o massacre e ao próprio Mao Tsé-Tung.

Eles ironizam a situação durante uma visita dos personagens à Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial), em Pequim, em que aconteceu o atentado do governo contra manifestantes pró-democracia em 1989. Em uma placa, pode ser lido: "Neste lugar, em 1989, nada aconteceu".

Homer Simpson no episódio / Crédito: Divulgação/Fox Broadcasting Company

 

A família também vai até o local onde está o corpo embalsamado de Mao Tsé-Tung e Homer Simpson aproveita para fazer outra crítica nada contida. Ele o chama de “um anjinho que matou 50 milhões de pessoas”, como noticia o jornal O Globo.

O fato de o episódio ter sido cortado do serviço levantou a possibilidade de censura principalmente porque a China continental sofre com esse tipo de restrição.

Além disso, Hong Kong aprovou em junho deste ano que um comitê de censura pode proibir filmes que considere uma ofensa à segurança nacional.

Uma nota do departamento de comércio e desenvolvimento econômico chinês esclareceu que a lei de censura em questão se limita apenas a filmes e não a serviços de streaming, como o Disney+ Hong Kong.

É possível que a plataforma tenha se adiantado e censurado o episódio antes do governo, como prevenção.