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Decapitação em fazenda romana na Grã-Bretanha era mais comum do que se pensava

De acordo com estudo, um terço dos escravos que trabalhavam no terreno foram mortos de maneira cruel

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 01/06/2021, às 14h35

Desenho de esqueletos encontrados na Fazenda de Knobb
Desenho de esqueletos encontrados na Fazenda de Knobb - Divulgação/Universidade de Cambridge

Entre 2001 e 2010, pesquisadores da Universidade de Cambridge escavaram um terreno conhecido como a Fazenda de Knobb, localizada em Cambridgeshire, na Grã-Bretanha. Agora, um estudo publicado na revista científica Britannia esclareceu questões sobre os esqueletos encontrados durante o trabalho arqueológico.

No artigo, repercutido pelo Daily Mail, os arqueólogos calculam que cerca de um terço dos escravos romanos que trabalhavam no local no período romano foram decapitados. A prática cruel era feita por soldados que aplicavam uma “disciplina extrema” nos indivíduos, conforme a pesquisa.

No período de escavações, foram encontrados três cemitérios na fazenda, que abrigam 52 esqueletos enterrados de maneira comum e 17 corpos que apresentavam marcas de decapitação e violência. A maior parte estava enterrada de bruços. 

Crédito: Divulgação/Universidade de Cambridge

 

Ainda que não tivesse sido decapitado, o restante provavelmente também foi executado. “Se essas pessoas tivessem sido mortas em algum tipo de ritual, isso seria um sacrifício humano, uma prática ilegal na lei romana. Uma explicação mais plausível para essas mortes é que foram execuções”, escreveram os pesquisadores no estudo.

O local chama a atenção pelo elevado número de decapitações, prática que não mostrava-se tão comum durante o período histórico. Segundo os especialistas, apenas 6% dos cemitérios romanos britânicos já investigados abrigam pessoas vítimas de execução. 

“Parte da dificuldade em estudar ambas as práticas é que elas são incomuns: em toda a Grã-Bretanha, as decapitações representam 2,3-3,7 por cento dos sepultamentos de inumação da era romana, enquanto os sepultamentos inclinados são ligeiramente menos comuns em 2-3 por cento”, explicaram.

O estudo salienta ainda que os cemitérios em questão remontam a um período de instabilidade durante o Império Romano. É possível que isso tenha levado o exército romano a aplicar penas mais severas em qualquer tipo de crime.