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Delegado ‘Carlinhos Metralha’ é denunciado pelo MPF por crimes durante ditadura

Ele é acusado de torturar e assassinar o sindicalista Devanir José de Carvalho, capturado pelo DOPS após uma emboscada no Tremembé

Fabio Previdelli Publicado em 27/05/2021, às 10h01

Manifestação contra a ditadura
Manifestação contra a ditadura - Wikimedia Commons

Segundo noticiou o UOL, na semana passada o Ministério Público Federal (MPF) denunciou o delegado Carlos Alberto Augusto por um crime cometido durante a ditadura militar. 'Carlinhos Metralha', como também é conhecido, é acusado de participar da tortura e morte do sindicalista Devanir José de Carvalho

Líder do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), Devanir caiu numa emboscada de agentes do Departamento de Ordem Pública e Social (DOPS) de São Paulo na manhã de 5 de abril de 1971. Atraído até o Tremembé, como recorda o UOL, o sindicalista foi baleado com um tiro de metralhadora.  

De acordo com o relatório dos militares, Carvalho morreu a caminho do hospital depois de levar um tiro fatal na perna. "O terrorista Devanir José de Carvalho, ocupando Volks cor azul chapa fria AE 3248, portando metralhadora, manteve tiroteio com policiais e, ferido gravemente, não resistiu e morreu a caminho do hospital". 

Porém, o MPF contraria essa versão, alegando que o sindicalista foi levado com vida ao DOPS, onde teria passado três dias sendo alvo de sessões de tortura. A alegação é baseada em depoimentos de testemunhas, fotos do cadáver de Denavir que possuía alguns hematomas e também do atestado de óbito que não detalhava a causa da morte.  

O Ministério Público Federal diz que o laudo foi falsificado como uma tentativa de “legalizar” o assassinato de Carvalho pelas mãos do Estado. O sindicalista havia virado alvo dos militares por ter participado do sequestro do cônsul japonês Nobuo Okuchi, que aconteceu no dia 11 de março de 1970, como recorda matéria publicada pela equipe do site do Aventuras na História.  

Nobuo em coletiva de imprensa após ser libertado - Crédito: Divulgação/Memorial da Democracia

 

"Em verdade, Devanir foi preso ainda vivo, levado para o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS), oportunidade em que foi barbaramente torturado por três dias — entre os dias 05 a 07 de abril de 1971 — pela equipe de Fleury, inclusive com a participação do denunciado Carlos Alberto. Como não conseguiram obter nenhuma informação dele, Devanir foi morto no dia 7 de abril, pela manhã", diz trecho da denúncia assinada pelo procurador Andrey Borges de Mendonça.  

"Em seguida, o laudo necroscópico 'legalizou' a morte, confirmando a versão oficial de que Devanir nunca fora preso e que morrera em suposta troca de tiros com a polícia", completa outra parte do documento.  

Mendonça aponta ainda agravantes no crime, como motivo torpe, uso de recursos que impediu a defesa da vítima, emprego de tortura, violação do dever funcional, abuso de autoridade e o fato do sindicalista estar “sob responsabilidade do Estado” quando foi assassinado.  

Por considerar se tratar de um crime contra a humanidade, o MPF avalia que o caso não pode ser sofrer prescrição e tampouco pode ser submetido anistia à conduta de Carlos Alberto Augusto. A entidade alega que os prazos permanecem em aberto, já que o corpo de Denavir nunca foi encontrado.