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Depois de 194 anos, morre macieira lendária de Washington, nos EUA

Árvore era um ícone para a comunidade local, com direito a um festival dedicado a ela

Ingredi Brunato Publicado em 24/08/2020, às 14h59

À esquerda uma fotografia antiga da árvore, sem data, e à direita uma fotografia da macieira em 2020.
À esquerda uma fotografia antiga da árvore, sem data, e à direita uma fotografia da macieira em 2020. - Divulgação/Museu Histórico do Condado de Clark

Em junho desse ano, a velha macieira localizada na cidade de Vancouver, em Washington, foi declarada morta. A árvore famosa foi plantada em 1826, e era considerada um marco importante para a comunidade local. Um parque público foi construído em volta dela, e um festival era realizado anualmente para celebrá-la. 

Em 2015, porém, a equipe de especialistas que cuidavam da árvore identificou que a camada do tronco responsável pelo crescimento dele tinha começado a morrer. Desde então, criou-se uma fenda no local que foi se aprofundando e se tornando oca no decorrer dos anos. 

“A árvore em si assumiu sua própria personalidade. É um organismo vivo, assim como nós, e enfrentou uma vida inteira de desafios. Ela permaneceu lá por gerações e testemunhou a mudança do mundo ao seu redor.”, disse Charles Ray, guarda-florestal urbano, em entrevista à CNN. 

A história da árvore se entrelaça com a história da região em diversos pontos. A Velha Macieira teria chegado como semente no bolso de um oficial britânico, testemunhado a construção de ferrovias, e até servido de matéria-prima para uma torta de maçãs que foi presenteada ao presidente Franklin Roosevelt, em visita à cidade no ano de 1934. 

Maçãs verdes produzidas por uma macieira descendente. Crédito: Divulgação/ Museu Histórico do Condado de Clark 

 

Uma equipe de especialistas do Projeto Genoma da Maçã, da Universidade de Washington, realizou ainda uma análise de DNA na macieira, revelando que ela seria geneticamente única. Seu genoma, portanto, não seria encontrado em macieiras de cultivos atuais. Segundo especulações, a árvore seria inclusive uma “neta” da macieira ancestral que gerou as variedades de maçã atuais. 

Porém, segundo podem garantir os moradores da cidade de Vancouver, o lar da Velha Macieira, a árvore não têm como realmente morrer, porque eram distribuídas cerca de 200 mudas durante o festival anual, para quem quisesse plantar no próprio quintal. 

Outra macieira vinda das sementes da árvore lendária também foi plantada no Museu Histórico do Condado de Clark, para receber a mesma apreciação dedicada aos outros objetos do passado ali preservados.