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Descoberta inédita pode revelar segredos da história da África Central

Caverna encontrada no Gabão abrigava 30 esqueletos humanos e mais de 500 objetos metálicos

Fabio Previdelli Publicado em 09/03/2020, às 15h00

Imagem ilustrativa de uma tribo africana
Imagem ilustrativa de uma tribo africana - Getty Images

No final de 2018, o geo-arqueólogo Richard Osilisly encontrou uma caverna escondida na densa floresta do Gabão. No local, havia um grande número de ossos humanos e objetos (do período medieval) que poderia ajudar os pesquisadores a entenderem melhor a história da África Central — ainda, em grande parte, desconhecida.

No fundo da Caverna Iroungou, que tinha 25 metros de altura, foram localizados 30 esqueletos e mais de 500 objetos metálicos — feitos principalmente de ferro — como: facas, machados, lanças, pulseiras e colares. Além do mais, também foi descobertos 39 dentes de panteras e hienas, que estavam espalhados em três níveis da cavidade.

Mais de um ano após a essa descoberta, o pesquisador francês apenas começou sua pesquisa sobre esses vestígios. "Esta é uma descoberta única na África, porque os restos humanos são quase inexistentes lá. Esta caverna nos permitirá conhecer um pouco mais sobre esses povos da África Central, que são amplamente desconhecidos na história".

Na África subsaariana, "os solos são muito ácidos e tudo o que é de origem animal e humana se decompõe muito rapidamente", explica Geoffroy de Saulieu, arqueólogo do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento. “É excepcional ter esse tipo de vestígio”.

Uma datação por radiocarbono, em uma dúzia de fêmures, determinou que eles pertenceram ao século 14 — as primeiras fontes escritas que se tem noticia remontam à chegada dos europeus, que desembarcaram na costa do país no final do século 15.

Já os molares foram enviados para um laboratório na França para análise de DNA. Os pesquisadores poderão, assim, contar com uma sólida base de DNA de dados salivares de populações compiladas em toda a África Central por linguistas para "cruzar os dados e, talvez, encontrar os herdeiros desses esqueletos", espera Oslisly.

Dois antropobiólogos, especialistas em patologia óssea, também estão envolvidos nas pesquisas no fundo da caverna. “Vamos aprender mais sobre a dieta das pessoas enterradas e as doenças que elas podem ter contraído na vida”, diz o geo-arqueólogo. “E também, acima de tudo, saberemos do que eles morreram”.

Iroungou revelou uma herança quase única: além de um acúmulo de ossos humanos desenterrados na década de 1960 na cidade de Benin, no sul da Nigéria, é a única caverna funerária descoberta até hoje na região.