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Descoberto cemitério do século 18 que contém esqueletos de escravizados no Caribe

Cerca de 48 restos mortais foram encontrados até o momento na ilha de Santo Eustáquio

Alana Sousa Publicado em 02/06/2021, às 13h00

Arqueólogos participando da escavação na ilha de Santo Eustáquio
Arqueólogos participando da escavação na ilha de Santo Eustáquio - Centro de Pesquisas Arqueológicas Santo Eustáquio (SECAR)

Uma expedição arqueológica na ilha Santo Eustáquio, no mar do Caribe, que teve início em maio de 2021, encontrou um cemitério do século 18 contendo 48 esqueletos de escravizados, conforme noticiou a revista Smithsonian.

Pesquisadores da Universidade de Yale e de instituições da Noruega pretendem entender mais a fundo a vida dos escravizados na ilha que era controlada pelos holandeses há centenas de anos.

Em entrevista a Associated Press, a equipe de estudiosos afirmou que os esqueletos podem oferecer uma visão sobre costumes, crenças, dietas alimentares e, até mesmo, pertences pessoais dos falecidos.

“Sabíamos que o potencial de descobertas arqueológicas nesta área era alto, mas este cemitério supera todas as expectativas”, disse Alexandre Hinton, diretor do Centro de Pesquisas Arqueológicas Santo Eustáquio (SECAR) à AP.

Escavação na ilha / Crédito: Centro de Pesquisas Arqueológicas Santo Eustáquio (SECAR) 

 

Estimativas apontam que cerca de quatro milhões de africanos foram levados a força para as olhas do Caribe entre os séculos 16 e 19. Documentos e relatos desses indivíduos não existem, devido a isso, o cemitério descoberto contém um valor histórico muito grande.

Seguindo alguns mapas antigos, os arqueólogos acreditam que estejam escavando ruínas da plantação de Golden Rock, uma senzala de 1781. Até o momento, a maior parte dos esqueletos pertencem a homens, mas uma pequena parcela corresponde a mulheres e crianças.

“Até o momento, encontramos dois indivíduos com modificações dentais que são um costume da África Ocidental. Normalmente, os proprietários de plantações não permitiam que escravos fizessem isso. Esses indivíduos são, portanto, provavelmente pessoas escravizadas de primeira geração que foram enviadas para Eustáquio”, explicou Hinton.

Sobre arqueologia

Descobertas arqueológicas milenares sempre impressionam, pois, além de revelar objetos inestimáveis, elas também, de certa forma, nos ensinam sobre como tal sociedade estudada se desenvolveu e se consolidou ao longo da história. 

Sem dúvida nenhuma, uma das que mais chamam a atenção ainda hoje é a dos egípcios antigos. Permeados por crendices em supostas maldições e pela completa admiração em grandes figuras como Cleópatra e Tutancâmon, o Egito gera curiosidade por ser berço de uma das civilizações que foram uma das bases da história humana e, principalmente, pelos diversos achados de pesquisadores e arqueólogos nas últimas décadas.