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A desilusão do jovem pode comprometer agenda econômica do Brasil

Impactos e reflexos desse desânimo devem ser sentidos nos próximos dois anos

Fernanda Amorim, presidente-Executiva da Brasil Júnior (Confederação Nacional das Empresas Juniores) Publicado em 21/10/2021, às 12h22

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Pixabay

O mundo vive uma crise socioeconômica, que afeta toda a cadeia produtiva, impulsiona o desemprego e coloca sobre os ombros de uma geração inteira de jovens um nebuloso cenário para os próximos anos. 

Segundo o Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial 2021, a desilusão do jovem é um risco para o nosso planeta e sentiremos os impactos e reflexos desse desânimo nos próximos dois anos. Além das crises sociais, econômicas e ambientais, a juventude vive os desafios relacionados à educação e saúde mental.

No Brasil, temos atualmente a maior geração de jovens de toda a história e as perspectivas não são positivas. Corremos o risco de perder o potencial de uma geração capaz de mudar a realidade social e econômica do nosso país. 

Foi nesse contexto, que o Conjuve (Conselho Nacional da Juventude) enviou, no início deste mês, um pacote de medidas ao Governo Federal e ao Congresso contendo ações propositivas, apontando soluções e caminhos para direcionar a mudança dessa realidade, criando mecanismos para ampliar e melhorar a empregabilidade dos jovens no país.

A expectativa é que haja uma agenda política para tratar do assunto, através da Comissão Especial pela Inclusão Produtiva, atualmente presidida pela Confederação Nacional de Empresas Juniores (Brasil Júnior). Também integram a Comissão, que conta com a parceria do Youth Voices, a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje) e o Enactus.

O Brasil conta, atualmente, com 47,2 milhões de jovens, representando 1/3 da população total. No entanto, apesar de sua capacidade produtiva, 54% estão desocupados, de acordo com dados do IPEA. Levantamento do IBGE aponta que ¼ da juventude está sem oportunidade de estudo ou trabalho. 

A situação é ainda mais crítica por falta de uma política de inclusão, que afeta as populações negra, indígenas, mulheres, pessoas com deficiência e LGBTQIA+.

O contexto atual amplia a exposição à pobreza, ao subemprego e à precarização do trabalho. O pacote de medidas é um compromisso para o enfrentamento desses desafios.

Precisamos urgentemente de ações concretas, com real capacidade de promover mudanças, atendendo as demandas emergenciais e apresentando perspectivas de futuro. 

Uma série de direitos têm sido violados ou negligenciados e para o enfrentamento da complexidade deste cenário será fundamental a construção de soluções que sejam baseadas em evidências, fruto de um amplo processo de diálogo social.

Uma das atribuições desta iniciativa é formular e propor diretrizes voltadas para as políticas públicas de juventude. Além da ampla agenda social, o desenvolvimento do documento mobilizou mais de 20 organizações da sociedade civil que trabalham pelas juventudes e a sua inclusão produtiva no mercado de trabalho.

O pacote de medidas conta com propostas dentro dos seguintes eixos: desafios do primeiro emprego; educação: qualidade e evasão; competências do futuro; fomento ao empreendedorismo jovem; acesso aos centros de trabalho: inclusão digital e mobilidade urbana; diversidade no mercado de trabalho; enfrentamento à desigualdade social; participação social e da juventude; reinserção de jovens em medidas socioeducativas; e trabalhos verdes: sustentabilidade e cadeias de valor rurais.

Estamos diante de um desafio que precisa, com urgência, ser encarado desde já. Qualquer ação hoje que não contemple e priorize o papel do jovem neste processo, incluindo o enfrentamento dos problemas que solapam a capacidade intelectual e produtiva dessa geração, não terá êxito. Precisamos mudar esse quadro ou, num curto espaço de tempo, teremos uma crise ainda mais grave e difícil de ser superada.