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Desvendado enigma dos navios fantasma da Coreia do Norte, que levam cadáveres ao Japão

Um estudo da ONG Global Fishing Watch revelou que os norte-coreanos enfrentaram um problema fatal

Vanessa Centamori Publicado em 23/07/2020, às 12h16

Uma das embarcações norte-coreanas não tripuladas que levou restos humanos até uma praia japonesa
Uma das embarcações norte-coreanas não tripuladas que levou restos humanos até uma praia japonesa - NHK/Youtube/Divulgação

Durante muitos anos, a costa norte japonesa tem sido palco para um fenômeno sinistro, no qual barcos fantasma carregam cadáveres de norte-coreanos, a mais de mil quilômetros de distância da Coreia do Norte.

Para se ter uma ideia, somente no ano de 2017, foram mais de 100 barcos avistados no Japão, sem nenhuma tripulação, além de 35 corpos a bordo. Aquilo tem chocado os japoneses, que buscam uma explicação para o abandono dos navios e barcos. Agora, um estudo publicado na última quarta-feira, 22, aponta uma solução para esse mistério.

A pesquisa, da ONG Global Fishing Watch, culpa as frotas de pesca chinesas. As embarcações seriam parte das centenas de navios de pesca da Coreia do Norte, prejudicados por embarcações da China. 

Pedaço de uma das embarcações fantasma que apareceram no Japão / Crédito: NHK/Youtube/Divulgação

 

Para chegarem à essa conclusão, os pesquisadores usaram tecnologias de satélite para analisar o tráfego marítimo no nordeste da Ásia em 2017 e 2018. Dessa forma, detectaram as embarcações chinesas, que estavam pescando ilegalmente nas águas da Coreia do Norte, apesar de sanções impostas em represália a testes balísticos. 

É uma violação internacional vender ou comprar peixes norte-coreanos. Mesmo assim, 900 navios chineses navegaram em 2017 e mais 700 em 2018, de acordo com o relatório da Global Fishing Watch. Com a concorrência da China, a frota de pesta da Coreia do Norte foi obrigada a pescar mais longe da costa, em áreas perigosas. O resultado: consequências mortais. 

"É muito perigoso para eles trabalharem nas mesmas águas que os arrastões chineses", explicou Jungsam Lee, co-autor do estudo. "É por isso que eles são obrigados a trabalhar nas águas russas e japonesas e isso explica por que alguns dos navios danificados da Coreia do Norte apareceram nas praias do Japão".