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A polêmica "deusa da democracia": Agnes Chow é detida sob custódia em Hong Kong

Chow foi detida sob custódia após ter confessado sua participação ativa em um protesto pró-democracia em Hong Kong

Giovanna de Matteo Publicado em 30/11/2020, às 11h53

Agnes Chow em uma campanha eleitoral das eleições suplementares de Hong Kong, em 2018
Agnes Chow em uma campanha eleitoral das eleições suplementares de Hong Kong, em 2018 - Wikimedia Commons

Presa recentemente através da nova lei de segurança nacional da China, Agnes Chow, de somente 23 anos, é ativista pela democracia, e falou através de uma transmissão ao vivo no YouTube sobre os medos que teve que enfrentar durante suas prisões, e sobre os perigos que, segundo ela, atingem o futuro de Hong Kong.

“Como fui presa em minha casa duas vezes, tenho muito medo de campainhas e batidas na porta”, contou ela, enquanto os seus simpatizantes enchiam os comentários da live com mensagens como: “Estou traumatizado.”

Uma semana após a exibição de seu vídeo ao vivo, feito no inicio de Novembro, Chow foi detida sob custódia mais uma vez, por ter confessado sua participação ativa em um protesto no ano passado, em conjunto com outros ativistas e colegas da moça, que também enfrentarão um julgamento onde podem pegar até cinco anos de prisão. O tribunal do caso acontecerá na próxima quarta-feira, 2.

A luta de AgnesChow é conhecida no mundo todo, e recebe muitos adeptos principalmente no Japão, onde ela é considerada a "deusa da democracia". Enquanto isso, Pequim continua perseguindo a ativista por seus disseminar seus valores democráticos.

“Acho que a reação do Japão a Hong Kong teria sido significativamente diferente sem ela”, declara Tsuyoshi Nojima, jornalista e escritor japonês, segundo o Washington Post. “O japonês dela atrai pessoas que têm afinidade com a subcultura. Nessa língua, ela fala sobre política em Hong Kong, o que cai bem e fica com os ouvintes aqui."

Outros especialistas japoneses acreditam que a personalidade de Chow foi se elevando por meio das atividades que a ativista promovia no país, considerando as diversas conversas regulares que ela participava e os convites de fala que recebia das universidades japonesas e clubes de imprensa. Além disso, as suas redes sociais também é voltada para seus seguidores japoneses.

Comentaristas do noticiário do TBS, no Youtube, já pediram para o governo do Japão pressionar a China contra as ações anti-democráticas em Hong Kong. “Quero que o governo japonês proteste contra [Pequim] em vez de ficar quieto”, escreveu um deles. “Esta é uma questão de direitos humanos", disse outro.

Alguns políticos como Renho Saito, chefe do Partido Democrático Constitucional de centro-esquerda, também exigiu que Tóquio se agisse com mais linha dura contra a China, depois que Chow e seus colegas foram detidos nesta segunda-feira, 30.