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Dias finais de Maradona são investigados por denúncias contra antigos representantes

Advogados de El Pibe de Oro são acusados de drogar ex-Camisa 10 para se aproveitarem financeiramente da situação

Fabio Previdelli Publicado em 11/03/2022, às 16h19

Maradona segurando a taça da Copa do Mundo
Maradona segurando a taça da Copa do Mundo - Getty Images

Don Diego Armando Maradona faleceu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória.Quase um ano e meio depois, entretanto, sua morte segue sendo alvo de polêmicas.

Isso porque, na tarde de ontem, 10, familiares de El Pibe de Oro publicaram uma carta comemorando que Matías Morla e Victor Stinfale, que foram seus advogados e representantes em diferentes estágios na parte final de sua vida, foram processados e convocados a depor por “apropriação indébita” dos bens de Dieguito

Conforme aponta o colunista do UOL Tales Torraga, os familiares do ídolo argentino chegaram a citar um termo equivalente à escravidão (“reducción a la servidumbre”) para descrever a situação do eterno Camisa 10; que teria ficado sem direito algum sobre suas posses. 

A reivindicação foi assinada pelas herdeiras mais velhas de Don Diego, Dalma e Giannina; por Claudia, sua ex-mulher; Verónica Ojeda, sua ex-esposa e mãe de Dieguito Fernando (9 anos); além de Diego Júnior, reconhecido pelo argentino quando tinha 30 anos. Jana Maradona, terceira filha do ex-jogador, ficou de fora. 

Nossa intenção, e de nossos advogados, é averiguar o que aconteceu na vida do nosso pai em seu último tempo, A VERDADE DE SEU FINAL”, escreveram os filhos do astro argentino.   

"Também, SABER A VERDADE das ações do seu entorno, que o rodeou e o isolou nos últimos anos da sua vida (provavelmente abandonando-o à sua sorte no final), esvaziando o seu patrimônio e fazendo-se milionários da noite para o dia", completam. 

Conforme aponta Torraga, na carta, os herdeiros de Maradona ainda ressaltam que Morla e Stinfale são acusados de drogarem Diego — com álcool, remédios e maconha — e se apropriaram indebitamente de seus bens enquanto ele estava sob os efeitos destas substâncias. 

Além dos dois, outras sete pessoas foram intimadas para depor em sessões que ocorrem entre os dias 22 de março e 12 de abril. As adiências estão marcadas para acontecer na cidade de La Plata, que fica próxima à capital Buenos Aires. 

"Foi investigado que apenas poderia visitar Maradona quem estivesse previamente autorizado pelos acusados", afirma um documento assinado pela fiscal María Cecilia Corfield.

"Quando a visita ou telefonema de algum amigo ou familiar era autorizado, a ordem era que não podiam ficar sozinhos, sempre devia estar presente um dos acusados ou uma pessoa da confiança deles, como eram os encarregados de segurança, para ouvir e ver o que acontecia e, quando fosse conveniente aos seus interesses, intervir para dissolver o contato", completa o documento.