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Diretor de colégio em Santo André é acusado de homofobia após reunião

Procurada pelo site da AH, a escola se posicionou

Pamela Malva Publicado em 10/11/2021, às 19h00

Imagem da fachada da escola
Imagem da fachada da escola - Divulgação/ Google Maps

O diretor de uma escola particular em Santo André, no Grande ABC, está sendo acusado de homofobia depois de realizar uma reunião com os pais da instituição na última quarta-feira, 3. As informações são do Diário do Grande ABC.

Segundo o veículo, tudo começou com uma publicação na página Régua Enem, no Instagram. Em seu post, Mateus Prado, o responsável pelo perfil, afirma ter recebido diversas mensagens de pais do Colégio Liceu Jardim que estariam preocupados com os posicionamentos do diretor Daniel Contro durante a reunião.

“Foi uma reunião homofóbica. Ele [o diretor] disse com todas as letras que o Liceu Jardim não irá aceitar ‘ideologia de gênero’ como se fosse uma coisa normal”, disse a fonte da página. Diante do depoimento, Mateus divulgou as informações aos seus seguidores.

Alguns dias mais tarde, a página ainda compartilhou um áudio gravado durante a reunião em questão.

O caso, então, gerou diversas discussões na região, principalmente entre alunos e ex-alunos da instituição — os atuais estudantes do colégio, inclusive, chegaram a organizar um protesto, mas a mobilização acabou não acontecendo.

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Régua ENEM (@enemmateusprado)

 

Questionado pelo Diário do Grande ABC, o diretor afirmou que “nosso regimento proíbe explicitamente o namoro, seja de (um indivíduo) hétero ou homoafetivo”. Ainda mais, com relação a acusações de racismo e aporofobia (aversão a pessoas de baixa renda), Daniel Contro pontuou: “Tratamento desigual pela cor da pele? Isso é crime inafiançável”.

Ainda em entrevista ao veículo, o diretor pontuou que “o homossexualismo sempre existiu e existirá. Há discussão que se torna até promoção [da orientação homossexual]”. Vale pontuar, contudo, que o termo “homossexualismo” não é mais aceito, já que, por tratar a homossexualidade como uma doença, é considerado pejorativo.

“[Se] Tem uma escola que é mais liberal, [há uma] mais conservadora”, continuou o diretor, ainda ao Diário do Grande ABC. “O Liceu é uma escola judaico-cristã, que acredita na família tradicional. Não vai haver banheiro neutro, a não ser por força de lei.”

 
 
 
 
 
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Procurada pela equipe do site da Aventuras na História, a assessoria de imprensa do colégio compartilhou uma nota oficial, que também foi enviada aos pais dos alunos.

No documento, o diretor afirma que a reunião em questão tinha o objetivo de gerar uma “reflexão sobre os desafios percebidos após o período de quarentena”.

Nesse sentido, um dos temas abordados pela reunião seria a suposta problemática da discussão da “identidade de gênero, já nessa idade, sem conhecimento dos pais”, sendo que o diretor teria realizado “uma breve análise histórica sobre a origem da ideologia e os diferentes cenários entre ocidente e oriente”.

“Reiteramos que o intuito da reunião foi, exclusivamente, alertar os pais sobre os conteúdos consumidos na internet, de forte impacto na formação das crianças que, nessa faixa etária, ainda não têm maturidade para lidar com tamanhos desafios”, pontuou a escola, em nota. “É nosso dever, como escola e famílias, buscar construir uma rede de proteção integral das nossas crianças diante do mar aberto da internet.”


Confira a nota na íntegra:

“Às famílias do Liceu Jardim,

Em 03/11, organizamos uma reunião de pais voltada às famílias dos alunos dos sextos, sétimos e oitavos anos. Julgamos indispensável convidá-las para uma reflexão sobre os desafios percebidos após o período de quarentena. Esse diálogo não só se mostrou necessário, mas também fundamental para a formação escolar e pessoal dos nossos alunos. No evento, tratamos dos seguintes temas:

- Os diferentes transtornos em âmbito somático, psicossocial e cognitivo que o retorno permitiu reconhecer entre nossos estudantes;

- A necessidade de os pais supervisionarem mais de perto os filhos, ainda de tenra idade, sobre:

  • conteúdos digitais impróprios compartilhados nos celulares das crianças;
  • consumo de bebidas e cigarros, erotização e sexualização precoce, provavelmente adquiridos durante a quarentena;
  • identidade de gênero, já nessa idade, sem conhecimento dos pais, buscando fazer uma breve análise histórica sobre a origem da ideologia e os diferentes cenários entre ocidente e oriente.

Trouxemos também uma especialista em direito digital para falar aos pais sobre a responsabilidade legal que lhes cabe em cyberbullying e outros crimes digitais, decorrentes de conteúdos veiculados ou recebidos pelos filhos em seus smartphones.

Existe uma versão infundada que está sendo difundida nas redes sociais de que a abordagem da reunião teria sido preconceituosa e discriminatória e de que seu objetivo foi de manifestar diretrizes homofóbicas.

Reiteramos que o intuito da reunião foi, exclusivamente, alertar os pais sobre os conteúdos consumidos na internet, de forte impacto na formação das crianças que, nessa faixa etária, ainda não têm maturidade para lidar com tamanhos desafios. É nosso dever, como escola e famílias, buscar construir uma rede de proteção integral das nossas crianças diante do mar aberto da internet.

Como instituição de ensino, ancoramos nosso ideário pedagógico em valores que incluem a tolerância e o respeito à diversidade de raça, crença, gênero e condição social. Sendo assim, reafirmamos aqui nosso respeito à pessoa e a sua liberdade de escolha - uma das mais sagradas conquistas da civilização.

Atenciosamente,

Daniel Contro, Diretor do Liceu Jardim”