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Disputa do monarca Henrique II com a Igreja trouxe graves consequências para os Alpes Suíços

A tentativa desenfreada do rei em reconquistar a confiança do Papa, resultou em prejuízo para a natureza, revela estudo

Caio Tortamano Publicado em 01/04/2020, às 06h00

Geleira nos Alpes Suíços
Geleira nos Alpes Suíços - Wikimedia Commons

A Universidade de Nottingham promoveu uma pesquisa nas geleiras dos Alpes Suíços e encontrou traços de poluição que remontam ao embate político e ideológico entre Henrique II e a Igreja Católica, depois do assassinato do arcebispo de Canterbury, Thomas Becket.

O arcebispo foi assassinado em 1170, por ordem do rei inglês. O Papa Alexandre III, como resposta, optou por excomungar Henrique da Igreja, mas o britânico reagiu ao iniciar uma desenfreada maratona de construções de monastérios, como forma de reconquistar a confiança do Santo Padre.

Para isso, o chumbo foi utilizado em exaustão para a construção dessas estruturas, no entanto, ao ser derretido, o material resultou em uma grande poluição. O fato foi verificado por pesquisadores que identificaram traços de chumbo na geleira alpina que tem aproximadamente 800 anos, período da investida britânica.

Os pesquisadores usaram lasers que foram capazes de detectar os elementos químicos presentes em diferentes camadas de gelo, resultando numa visão detalhada de como as condições ambientais mudaram ao longo dos anos.

De acordo com o arqueólogo Christopher Loveluck, da Universidade de Nottingham: "A metade final do século 12 teve os mesmos níves de poluição por chumbo observados em meados do século 17 e até em 1890".