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DNA neandertal raro deixa parte dos europeus com o crânio alongado

Pesquisadores de três países diferentes sugerem que as pessoas com esse código genético têm a cabeça mais alongada

Mariana Ribas Publicado em 14/12/2018, às 09h38 - Atualizado às 13h46

Reconstrução de um neandertal no museu de Mettmann, na Alemanha
Reconstrução de um neandertal no museu de Mettmann, na Alemanha - Getty Images

Que os neandertais deixaram rastros entre nós, já se sabia: um europeu, tem em média, 2% de DNA dos antigos primos dos humanos, que desapareceram aproximadamente 40 mil anos atrás. Também já se sabe que essa herança deixou os humanos mais resistentes a infecções. A novidade é que o DNA neandertal deixou parte dos europeus com a cabeça mais alongada.

Publicada nesta semana, a conclusão é de um grupo de pesquisadores de centros de pesquisa da Alemanha, da Holanda e da Califórnia. O grupo identificou uma relação entre fragmentos alterados de dois genes, UBR4 e PHLPP1, com um formato de crânio mais achatado e alongado, característico de parte da população europeia.

"Alterações nesses dois genes têm grandes consequências para o desenvolvimento do cérebro", afirma um dos autores, o geneticista Simon Fisher. De fato, os fragmentos alterados foram encontrados em áreas do cérebro ligadas a coordenação e aprendizado.

O estudo permite inferir que o formato do crânio tem consequências diretas sobre a capacidade cerebral. E pode ajudar a identificar em qual momento da evolução os seres humanos adquiriram seus crânios característicos, mais arredondados. Afinal, esse formato é raro entre os primatas.