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Do desembarque ao local de trabalho: a dura rotina dos escravizados ao chegarem no Brasil

Saiba como viviam os africanos trazidos ao Brasil na época da escravidão

Redação Publicado em 14/11/2021, às 09h00

Navio negreiro, quadro do pintor Rugendas
Navio negreiro, quadro do pintor Rugendas - Domínio público / Johann Moritz Rugendas

Os escravizados que, no passado, chegaram ao Brasil por meio dos navios negreiros, sofreram de diversos males. Depois dos horrores de uma viagem em condições desumanas, os cativos teriam de se submeter a inúmeras formas de tortura em uma terra desconhecida.

Objetificados e sem direitos, eles padeceriam durante séculos, antes que, com intensa luta, conquistassem o direito à liberdade.

Mercado de escravos

Como relembrado pela Revista Recreio, assim que chegavam ao Brasil, os negros eram levados aos mercados de escravos, situados em regiões próximas aos portos. Lá, eram expostos como "peças" para serem avaliados por possíveis compradores, que poderiam ser, por exemplo, donos de engenhos de cana de açúcar.

Mercado de escravos no Recife / Crédito: Domínio público / Zacharias Wagner

 

Em direção ao local de trabalho

Caso o escravo chamasse a atenção de um comprador, ele era vendido e levado até seu novo local de trabalho.

Enquanto uns eram direcionados aos engenhos, outros partiam para atuar em casas de família. Havia ainda aqueles que eram levados para trabalhar na área da mineração.

Chegando em seu destino, era comum que recebessem uma marca de ferro quente no corpo, para que, desta forma, fossem facilmente identificados por seu proprietário.

Escravizados na casa do senhor, quadro de 1830 / Crédito: Domínio público / Johann Moritz Rugendas

 

Condições desumanas

Mas o tratamento animalizado dado aos negros que chegavam ao país não parava por aí.

Não importava a área à qual fossem designados a atuar, muitos escravizados sofriam com trabalhos intensivos, não importava o sol quente ou qualquer que fosse sua queixa, além de que recebiam alimentação extremamente precária. Suas roupas, muitas vezes feitas de pedaços de panos rasgados, contrastavam com os tecidos finos com os quais se vestiam os senhores

Na hora de dormir, os cativos também não tinham qualquer conforto, devendo seguir para as senzalas, galpões úmidos e escuros dentro dos quais eram acorrentados para evitar fugas. E, caso cometessem algum erro, eram submetidos a castigos.

Famíla brasileira sendo servida por seus escravos, século 19 / Crédito: Domínio público / Jean-Baptiste Debret

 

Sem liberdade de culto

Além de não terem direitos sobre seus próprios corpos, os africanos escravizados também não podiam ter sua própria religião, sendo que apenas o cristianismo, especificamente o catolicismo, era permitido. Eles ainda foram obrigados a aprender o português e a abandonar sua língua materna.

No entanto, graças ao sincretismo e às celebrações que realizavam sem o conhecimento dos senhores, suas crenças, entre outros elementos de sua cultura sobreviveram mesmo após séculos de escravidão.


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