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Documento afirma que funcionários da ONU estão sendo agredidos pelo Talibã

A agência Reuters denunciou a onda de violência após obter acesso a documento da ONU

Redação Publicado em 26/08/2021, às 10h17 - Atualizado às 10h18

Membros do Talibã armados
Membros do Talibã armados - Getty Images

Conforme denúncia realizada pela agência Reuters, dezenas de funcionários da ONU (Organização das Nações Unidas) estariam sendo vítimas de intimidações e agressões físicas por parte do Talibã, no Afeganistão. O comunicado baseia-se em um documento da ONU que detalha a nova onda de violência.

A denúncia que um homem afegão foi parado e revistado por membros do Talibã quando se dirigia em direção ao aeroporto de Cabul no último domingo, 22. Ao encontrarem seu crachá da ONU, os fundamentalistas o espancaram.

No dia seguinte, o Talibã teria ido até a casa de um segundo funcionário e perguntado ao filho dele sobre seu paradeiro. "Sabemos o que ele faz", disseram eles, acusando o jovem de estar mentindo. Além desses, diversos outros casos foram relatados desde o dia 10 de agosto.

É relatado que o grupo não quis comentar sobre a denúncia, mas declarou que faria uma investigação interna e que as ONGs deveriam continuar realizando seu trabalho.

Já a ONU, também contatada pela Reuters, disse somente que há contato entre a organização e o Talibã para garantir a segurança dos funcionários da área, mas não entrou em detalhes sobre a situação, nem respondeu às perguntas sobre o documento.

Caos no Afeganistão

Após a tomada do palácio presidencial, localizado em Cabul, no último domingo 15, o grupo extremista Talibã retomou oficialmente o poder do Afeganistão, após 20 anos.

O episódio foi favorecido pela retirada das tropas norte-americanas através de um acordo de paz iniciado no governo Trump e concretizado na era Biden.

Diante da volta do grupo radical, inúmero afegãos começaram a fugir do país. Na última segunda-feira, 16, vídeos revelaram inúmeras pessoas se amontoando no aeroporto de Cabul na tentativa de escapar do país e do retrocesso que a volta do Talibã representa.

Até mesmo a aérea externa de uma aeronave foi utilizada em um ato desesperado de deixar o país. Embora o grupo afirme que não está em busca de confusão, recentes episódios contradizem isso.

"Vamos permitir que as mulheres trabalhem e estudem dentro de nossas estruturas. As mulheres serão muito ativas em nossa sociedade, dentro de nossa estrutura”, disse Zabihullah Mujahid, o representante do Talibã.

“Queremos assegurar que o Afeganistão não seja mais um campo de batalha. Perdoamos todos aqueles que lutaram contra nós, as animosidades acabaram. Não queremos inimigos externos nem internos", disse ele. 

Não só um protesto foi reprimido com tiros na última quinta-feira, 18, mas também jornalistas têm acusado o grupo de perseguições. Um familiar de um jornalista do canal público de televisão alemão Deutsche Welle (DW) fora executado pelo grupo.

"O assassinato de um parente de um de nossos editores pelos talibãs ontem [quinta-feira] é incrivelmente trágico e ilustra o grave perigo em que se encontram todos os nossos funcionários e suas famílias no Afeganistão", disse o diretor geral da DW, Peter Limbourg, em comunicado divulgado na última sexta-feira, 20.