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Documento de 3 mil anos revela o depoimento de ladrões de túmulos egípcios

Os relatos contam como um grupo de ladrões roubou a tumba de Sobekemsaf II — especialistas supõem que eles sofreram punições brutais

Fabio Previdelli Publicado em 26/09/2019, às 16h32

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Reprodução

Documentos judicias egípcios de mais de 3 mil anos, indicam que ao menos 8 ladrões invadiram a tumba de Sobekemsaf II — faraó da 17ª dinastia — para roubar inestimáveis riquezas que estavam armazenadas lá dentro. A revelação aconteceu durante gravações do programa Egypt’s Greatest Treasures, do Canal 5. A historiadora e apresentadora Bettany Hughes, revelou que a descoberta dos papeis lança uma nova perspectiva sobre os ladrões de tumbas do Egito.

O documento, conhecido como Papiro de Amherst, é datado de 1.100 a.C e faz parte dos registros judiciais originais que tratam de assaltos a tumbas. Em uma seção, os documentos detalham a profanação da tumba de Sobekemsaf II, por volta de 1570 a.C, em Tebas, capital do Egito Antigo. A folha contém as provações e confissões dos homens responsáveis pelos atos.

O documento, conhecido como Papiro de Amherst, é datado de 1.100 a.C / Crédito: Reprodução


Amenpnufer, filho de Anhernakhte, um pedreiro do Templo de Amon Re "adquiriu o hábito de roubar os túmulos em companhia do pedreiro Hapiwer”, descreve os documentos. Em seu julgamento, o homem admite usar ferramentas de cobre para cavar um túnel na pirâmide do rei. Ali, eles encontraram os cemitérios de Sobekemsaf II e sua rainha e saquearam tudo o que podiam carregar.

“Abrimos os sarcófagos em que os caixões estavam, e encontramos a nobre múmia deste rei equipada com um falcão; havia um grande número de amuletos e joias de ouro em seu pescoço. A múmia estava completamente enfeitada de ouro, e seus caixões eram adornados com ouro e prata por dentro e por fora, e incrustado com todos os tipos de pedras preciosas. Coletamos o ouro dele e tudo o que descobrimos com a rainha, e então nós ateamos fogo em seus caixões”, dizia um trecho da confissão.

Os corredores datumba da Rainha Nefertari / Crédito: Reprodução


No total, os ladrões fugiram com um total de 700 mil libras (algo em torno dos 3 milhões e meio de reais). Não está totalmente claro como eles foram capturados ou que aconteceu com eles após o julgamento.

O que especialistas imaginam é que eles sofreram uma punição semelhante com as aplicadas a quem praticasse esse tipo de crime, que poderiam sofrer torturas ou serem executados por empalhamentos.

Muitos dos tesouros dos antigos faraós eram furtados por ladrões de sepulturas e isso se tornou um problema. Tanto é que as realezas egípcias passaram do enterro em pirâmides para o sepultamento em tumbas no vale dos reis.