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Eddie Murphy revela ter sido obrigado a escalar ator branco em 'Um Príncipe em Nova York'

“Os homens brancos comandam esse negócio”, disse o comediante sobre a indústria do cinema

Fabio Previdelli Publicado em 03/03/2021, às 10h30

Eddie Murphy e Louie Anderson em cena do filme
Eddie Murphy e Louie Anderson em cena do filme - Divulgação / Paramount

Os atores Eddie Murphy e Arsenio Hall se reuniram para promover o lançamento de “Um Príncipe em Nova York 2", que chegará nesta sexta-feira, 5, na Amazon Prime Video do Brasil. Em entrevista ao talk show Jimmy Kimmel Live, da ABC, eles relembraram alguns momentos de bastidores do filme original, de 1988, que já se tornou um clássico. 

Sobre a participação de Louie Anderson, por exemplo, que deu vida ao personagem Maurice, os comediantes disseram que ele só foi escalado para o filme pois a Paramount, estúdio que produziu o longa, obrigou que ao menos um ator branco fizesse parte do elenco. "Eu amo Louie Anderson, mas acho que fomos forçados a colocá-lo neste filme. Fomos forçados a colocar uma pessoa branca", conta Hall.  

“Isso foi na década de 1980, sabe? Então eles disseram: 'Precisamos ter pessoa branca no filme. Tem que ter uma pessoa branca no filme'. Eu fiquei tipo: 'Oi?'. Ficamos pensando em quem era o cara branco mais engraçado que existia. Nós sabíamos que Louie era legal, então foi assim que ele entrou para o filme”, completou Murphy

Arsenio, porém, deu outra versão sobre isso, recordando que a Paramount montou uma lista com três nomes de comediantes brancos para que eles escolhessem um deles, com quem mais gostariam de trabalhar.  

O racismo na indústria 

Além da entrevista a Jimmy Kimmel, Eddie Murphy também conversou com a Radio Times, onde falou de assuntos mais ligados sua vivência. Apesar de dizer que sua cor nunca lhe afetou profissionalmente, narrou como é impossível viver nos Estados Unidos sem sofrer casos de racismo. 

“Acho que, em termos do meu trabalho, isso nunca foi um problema. Estou fazendo filmes há 40 anos, e nunca tive dificuldades por ser negro. Acho que transcendi esse tipo de coisa, mas isso não quer dizer que vim direto do paraíso para Hollywood. Sou um negro nascido nos EUA, sou afro-americano. Não há como crescer neste país sem viver algumas m*rdas.", declarou.  

Apesar disso, o ator reconhece que sua carreira não deve ser tratada como um único exemplo, deixando de lado casos de outras minorias pouco representadas dentro da indústria. "As coisas são do jeito que são há anos, mas não são só os afro-americanos. Mulheres e outras minorias, também. Os homens brancos comandam esse negócio. Sempre foi assim", concluiu.