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Estudo revela que Elizabeth I traduziu obra do século 16 sobre a história do Império Romano

A pesquisa revelou semelhanças substanciais na caligrafia do manuscrito com outras traduções e cartas pessoais que a monarca escreveu

Fabio Previdelli Publicado em 29/11/2019, às 14h16

Elizabeth I, a última monarca da Casa Tudor
Elizabeth I, a última monarca da Casa Tudor - Getty Images

Quinta e última monarca da Casa Tudor, e filha do Rei Henrique VIII com Ana Bolena, Elizabeth I foi rainha da Inglaterra de 1558 até 1603. Desde muito nova, foi ensinada a falar os mais diversos idiomas, entre eles, o latim, o francês, o italiano, o espanhol e até mesmo o grego.

Curiosidades a parte, parece que a habilidade de Elizabeth com outras línguas fez com que ela fosse responsável pela tradução de grandes obras da época. Um recente artigo publicado na revista Review of English Studies sugere que a futura rainha fez a tradução manuscrita do livro Anais do historiador romano Tácito — que foi concluído no final do século 16 e preservado na Biblioteca do Palácio de Lambeth (uma das mais antigas bibliotecas públicas da Inglaterra).

Ao analisarem o tipo de papel, o estilo e, principalmente a letra preservada do manuscrito, foram encontradas semelhanças substanciais entre a tradução da obra de Tácito e várias outras amostras de caligrafia distintas da rainha, como por exemplo, o extremo horizontal no ‘m’, o traço superior do ‘e’ e a quebra da haste no ‘d’.

Parte do texto analisado pelos pesquisadores / Crédito: divulgação

 

“A letra da rainha era, para dizer o mínimo, idiossincrática, e as mesmas características distintivas que caracterizam sua mão tardia também podem ser encontradas no manuscrito de Lambeth. À medida que as demandas de governança aumentaram, sua escrita se acelerou e, como resultado, algumas letras como ‘m’ e ‘n’ se tornaram traços quase horizontais, enquanto outras, incluindo seus ‘e’ e ‘d’, se separaram. Essas características distintivas servem como diagnóstico essencial na identificação do trabalho da rainha”, declarou John-Mark Philo, principal autor da pesquisa.

Além do mais, a tradução foi escrita em um papel com marcas d’água de um leão exuberante e as inicias ‘GB’. A folha também tinha uma marca da arma besta, que é bastante popular entre o secretariado elisabetano da década de 1590. Elizabeth I usou um papel com as mesmas marcas em sua translação de Boécio e em algumas cartas pessoais.

A versão concentra-se no primeiro livro dos Anais, que fala sobre a morte de Augusto e a ascensão do imperador Tibério. Fora a análise da letra, os pesquisadores também fizeram o rastreamento da transmissão do manuscrito da corte elisabetana até a Biblioteca do Palácio de Lambeth, atrvés da coleção do arcebispo Thomas Tenison no século 17.

Carta da Rainha Elizabeth para Jaime VI escrita em 1603. Nela já podemos notar traçõs mais acelerados da escrita. / Crédito: Getty Images

 

Graças ao interesse na corte elisabetana e em Francis Bacon, Tenison fez da biblioteca de Lambeth uma das maiores coleções de jornais estaduais da era elisabetana.

Este é o primeiro trabalho substancia da rainha Elizabeth I a surgir em mais de um século. Pesquisadores da Universidade de East Anglia dizem que a descoberta pode ter implicações importantes em nossa compreensão da natureza política e cultural da corte elisabetana.