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Em Cabul, mulheres protestam por direitos no novo governo do Talibã

A manifestação aconteceu na última sexta-feira, 3, dias depois que o grupo fundamentalista islâmico retomou o poder no país

Pamela Malva Publicado em 04/09/2021, às 13h00

Imagem meramente ilustrativa de mulheres com seus filhos no Afeganistão
Imagem meramente ilustrativa de mulheres com seus filhos no Afeganistão - Divulgação/ Vídeo/ Folha de S.Paulo

No dia 15 de agosto deste ano, o Talibã tomou o palácio presidencial em Cabul, no Afeganistão, assumindo o poder do país mais uma vez. Nesta sexta-feira, 3, então, um grupo de mulheres se reuniu nos portões da instituição, a fim de reivindicar e proteger os direitos conquistados pela população feminina da região nos últimos 20 anos.

Segundo o G1, a manifestação formada por pouco mais de dez mulheres também pediu que o novo governo do Talibã, que ainda está tomando forma, conte com a voz ativa da parcela feminina da população afegã — o que não aconteceu da última vez.

Carregando cartazes que exigiam "um governo heróico com a presença de mulheres", as manifestantes deixaram claro que não queriam que o Afeganistão voltasse ao passado. Isso porque, em seu último governo, ocorrido entre 1996 a 2001, o Talibã mantinha regras rígidas que restringiam os direitos das mulheres no país.

Além dos protestos, então, as afegãs ainda distribuíram um documento inédito, cujo texto pede que o novo governo do Talibã garanta os direitos básicos das mulheres, como acesso à educação, participação política e social e liberdade de discurso.

As medidas do governo

Tendo assumido o controle do país após 20 anos, o Talibã está anunciando as novas medidas do governo aos poucos, em ocasiões acompanhadas por todo o mundo. No último domingo, 29, por exemplo, um porta-voz do grupo fundamentalista islâmico revelou quais seriam as regras a serem seguidas nas universidades do país.

Naquele dia, Abdul Baqi Haqqani, ministro interino do Talibã, afirmou que as mulheres continuam podendo estudar nas universidades afegãs, mas em salas separadas, sendo que “os homens não terão permissão para ensinar meninas”.

Antes disso, o Talibã deixou claro que, assim como da última vez, as mulheres deveriam ficar em casa no Afeganistão, impossibilitadas de trabalhar. Agora, portanto, enquanto autoridades internacionais aguardam por mais posicionamentos do Talibã, ativistas dos direitos humanos e das mulheres se preocupam com as promessas do grupo.