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Em carta de agradecimento à Índia, Bolsonaro faz referência ao deus-macaco do hinduísmo

O país asiático voltou a vender a cloroquina a nós e, como gratificação, o presidente relacionou os poderes de cura de Hanuman e Jesus

André Nogueira Publicado em 08/04/2020, às 07h00 - Atualizado às 07h56

Bolsonaro e Modi
Bolsonaro e Modi - Wikimedia Commons

Depois que a Índia suspendeu a proibição da exportação do medicamente hidroxicloroquina, que se suspeita ser útil no combate à COVID-19, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro escreveu uma carta ao primeiro-ministro indiano Narendra Modi fazendo referência à religião dos dois países. Na ocasião, o capitão da reserva cita Hanuman, o deus macaco que faz aniversário hoje (dia 8) na cosmovisão hindu.

Hanuman, o deus em forma de macaco e filho do vento, é uma divindade da mitologia Ramayan e tem seu nascimento cósmico ligado à lua cheia de abril. Relacionado à conexão da Índia com o Sri Lanka e com poderes apotropaicos, esse avatar de Shiiva é usado em meditações para o afastamento de males espirituais.

Hanuman, filho do vento / Crédito: Wikimedia Commons

 

O documento relaciona “Lord Hanuman [, que] trouxe o remédio sagrado do Himalaia para salvar a vida do irmão de Lord Rama, Lakshmana, e Jesus [, que] curou aqueles que estavam doentes e recuperou a visão de Bartimeu”. Nessa lógica, diz a carta, “Índia e Brasil vão superar essa crise global unindo forças e compartilhando bênçãos para o bem de todos".

Nos últimos tempos, em que as mortes por coronavírus aumentam no Brasil, o presidente vem feito campanha a favor da cloroquina, por mais que não se saiba a verdadeira relação do medicamento com a doença. Bolsonaro segue a linha de Trump, que promove o fármaco, mesmo com os efeitos colaterais que ele proporciona.