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Em conferência, Bolsonaro diz que “é uma mentira essa história de que a Amazônia arde em fogo”

Presidente participou remotamente de cúpula ambiental e afirmou que seu governo tem “tolerância zero” contra crimes ambientais — no entanto, esqueceu de citar avanço dos índices de desmatamento

Fabio Previdelli Publicado em 11/08/2020, às 17h00

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil - Getty Images

“É uma mentira essa história de que a Amazônia arde em fogo”. Essa foi a declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro ao dizer que o Brasil é criticado de maneira injusta por outros países que enxergam na região uma área de interesse. Vale ressaltar, entretanto, que houve uma alta no desmatamento da floresta amazônica este ano em relação ao ano anterior.

"Nós devemos combater isso com números verdadeiros. E é o que estamos fazendo”, disse Bolsonaro em reunião por videoconferência durante a 2ª Cúpula Presidencial do Pacto de Letícia pela Amazônia, na terça-feira, 11.

O presidente citou que, em julho, o país apresentou uma redução de 28% no desmatamento em relação a 2019. Ainda assim, ocultou que os números totais indicam que houve um avanço de 34% na prática. As informações são do Estadão com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe.

"Nós sabemos o quanto somos criticados de maneira injusta por muitos países do mundo. Nós, com perseverança, com determinação e com verdade, devemos insistir. Essa região é muito rica, é praticamente o que sobrou do mundo no tocante à questão ambiental e riquezas naturais. Vamos resistir”, disse.

"Nosso empenho é grande, é enorme no combate aos focos de incêndio e ao desmatamento. Podem ver, em julho deste ano, levando-se em conta julho do ano passado, nós registramos uma diminuição de 28% de desmatamento ou queimadas na região. Mas, mesmo assim, ainda seguimos sendo criticados. Afinal, o Brasil é uma potência no agronegócio”.

Além disso, Bolsonaro também afirmou que seu governo tem “tolerância zero” contra crimes ambientais. "Nossa política é de tolerância zero, não somente para o crime comum, mas também para a questão ambiental. Combater os ilícitos é essencial para a preservação da nossa Amazônia, mas não é tudo, temos que estimular também na região o desenvolvimento sustentável”, concluiu.