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Em depoimento, policiais afirmam que abordaram ciclista negro porque ele parecia 'oferecer risco'

Segundo o Ministério Público de Goiás, os agentes pensaram que Felipe Ferreira "estava gesticulando muito com as mãos"

Pamela Malva Publicado em 09/06/2021, às 13h00

Imagem da abordagem policial em Goiás
Imagem da abordagem policial em Goiás - Divulgação/ Vídeo/ Arquivo Pessoal

No dia 28 de maio, o youtuber e ciclista Filipe Ferreira praticava algumas manobras na orla do Lago Jacob, na Cidade Ocidental, em Goiás, quando foi abordado por dois policiais militares. Com seu celular, o homem filmou a ação truculenta, que, após viralizar na redes sociais, se tornou alvo de uma investigação do Ministério Público (MP) de Goiás.

Na tarde da última segunda-feira, 07, então, os agentes envolvidos no caso foram ouvidos pelo MP-GO, em uma audiência por videoconferência. Ao promotor, os policiais afirmaram que apenas abordaram Felipe porque ele parecia “oferecer risco”.

Para os agentes, ambos “seguiram os procedimentos padrões preconizados pela Polícia Militar”, segundo explicou uma nota oficial do MP-GO enviada ao UOL. Ainda mais, os policiais afirmaram que “apontaram a arma para o ciclista por entenderem que oferecia risco à integridade física dos dois, pois estava gesticulando muito com as mãos."

Nesse sentido, de acordo com o UOL, os agentes ainda explicaram que “temiam que ele [Felipe] pudesse pegar algum objeto para agredi-los, pois apresentaria descontrole”. Para o próprio ciclista, contudo, toda a abordagem foi bastante agressiva.

Também ouvido pelo Ministério Público, Felipe confirmou que a ação foi truculenta e ainda disse estar traumatizado, temendo retaliações. Em seu depoimento, inclusive, o youtuber disse que ficou algemado por cerca de 20 ou 30 minutos, sendo que, durante esse tempo, ele sofreu intimidações dos agentes.

Em suas redes sociais, Felipe manifestou sua indignação com o episódio, afirmando que "estava apenas pedalando" quando foi abordado. "Realmente não entendi nada", escreveu o ciclista. "Fiquei me perguntado se eles me abordaram por conta da cor da minha pele ou se eu realmente tinha feito algo que precisou até de algema."

Depois de ouvir os envolvidos, o Ministério Público encerrou as investigações e, agora, os quatro promotores de Justiça responsáveis devem analisar as provas disponíveis para definir o desfecho do episódio — se haverá uma denúncia, ou se o caso será arquivado.