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Em meio a polêmica com Alemanha, Itália cria fundo para vítimas dos nazistas

Previsão é que 20 milhões de euros sejam doados até 2023

Fabio Previdelli Publicado em 02/05/2022, às 13h39

Prisioneiros judeus no campo de concentração de Auschwitz
Prisioneiros judeus no campo de concentração de Auschwitz - Getty Images

No último sábado, 30, um decreto publicado no Diário Oficial sacramentou, na Itália, a criação de um fundo para reparação de danos às vítimas dos nazistas na Segunda Guerra Mundial — que sofreram nas mãos do Terceiro Reich entre 1º de setembro de 1939 e 8 de maio de 1945. O projeto passou a vigorar já no domingo. 

Com isso, o previsto é que o fundo receba “uma doação de 20 milhões de euros para 2023, e de 11,8 milhões para os anos de 2024 a 2026”, conforme cita o artigo 43, segundo informado pela agência ANSA. 

"Há tempos nós temos uma troca com o governo italiano sobre a questão dos ressarcimentos dos crimes nazistas. No fim de semana, a parte italiana promulgou um decreto que nós consideramos positivo”, declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.

Precisamos observá-lo atentamente. Há tempos dizemos que, se houver uma solução interna na Itália, isso nos forçaria a fazer uma nova avaliação da situação", completou. 

Disputa Itália x Alemanha

A decisão ocorreu em paralelo com a abertura de um processo por parte de Berlim na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia. Conforme informado pela ANSA, a briga se dá pelo fato dos alemães discordarem das inúmeras ações judiciais italianas pedindo reparação por crimes de guerra. 

A Alemanha alega que, em 2012, o tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) já havia determinado que esse tipo de pedido “viola o direito internacional”.

Segundo Berlim, desde então, Roma já abriu “ao menos 25 novas causas” a respeito disso, sendo que em 15 houve um pedido de ressarcimento. Desta forma, os alemães apontam que os italianos violam “conscientemente” a decisão de um órgão internacional.