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Em outros sistemas solares, estrelas semelhantes ao Sol 'engolem' planetas que as orbitam

As “estrelas canibais” estão na pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 30.

Luíza Feniar Migliosi Publicado em 31/08/2021, às 11h55

Erupção solar registrada pela NASA
Erupção solar registrada pela NASA - Getty Images

De acordo com uma pesquisa publicada na revista científica Nature Astronomy, nesta segunda-feira, 30, pelo menos um quarto das estrelas semelhantes ao Sol canibalizam os planetas que as orbitam, segundo o portal de notícias G1.

A nossa Galáxia tem muitos sistemas planetários e os cientistas já haviam descoberto que muitos deles são diferentes do nosso Sistema Solar. Mas, com essa recente pesquisa, é possível entender a razão não há tantos sistemas planetários vizinhos semelhantes ao nosso, em que os planetas orbitam o Sol em uma ordenação bem estruturada. Na verdade, em pelo menos 25% dos casos, a estrela central pode ter “consumido” alguns planetas que a orbitavam.

O estudo observou a composição química de estrelas de tipo solar em mais de 100 sistemas binários, que são compostos por duas estrelas gêmeas com a mesma composição química.

A pesquisa foi elaborada pela Universidade de São Paulo (USP) e centros da Itália, Austrália e Estados Unidos. Foi usado o telescópio do Observatório La Silla, administrado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO) e localizado no Deserto do Atacama, Chile.

Algumas estrelas irmãs não tinham a mesma composição química, pois uma delas possuía uma quantidade maior de lítio e ferro, abundantes nos planetas rochosos.

Para Jorge Meléndez, professor do Departamento de Astronomia da USP e um dos autores da pesquisa, as estrelas que apresentavam abundância destes elementos haviam dissolvido, em sua parte mais externa, os planetas do seu próprio sistema solar. Sendo assim, foram apelidadas de “estrelas canibais”.

A publicação enfatizou que as estrelas binárias quimicamente não homogêneas são exemplos contraditórios na astrofísica estelar e que ainda estudam a causa das diferentes composições.

"Ainda não está claro se as variações de abundância química são o resultado de não homogeneidades nas nuvens de gases proto-estelares [da formação estrelar] ou são devidas a eventos de engolfamento de planetas (...) O primeiro cenário abala a crença geral de que a composição química das estrelas fornece as informações fósseis do ambiente em que se formaram, enquanto o segundo cenário lança luz sobre os possíveis caminhos evolutivos dos sistemas planetários", afirma o estudo.