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Em Pompeia, dietas eram baseadas no gênero de cada um, sugere estudo

Apesar de inusitada, a teoria erguida pela recente pesquisa teria algumas possíveis justificativas. Entenda!

Ingredi Brunato, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 31/08/2021, às 21h00

Fotografia de local de onde foram tirados esqueletos analisados pela pesquisa
Fotografia de local de onde foram tirados esqueletos analisados pela pesquisa - Divulgação/ Science Advances/ L. Fattore

Uma equipe de pesquisadores britânicos reconstruiu a dieta de alguns dos moradores de Pompeia, a cidade romana reduzida à cinzas e pedra-pomes após a terrível eupção do vulcão Vesúvio em meados do anos 79 d.C.. Para tanto, os cientistas realizaram a análise da composição dos ossos de 17 vítimas do episódio fatal.

Segundo o estudo publicado na Science Advances na última quarta-feira, 25, os pesquisadores chegaram a uma conclusão curiosa: os homens possuíam uma alimentação com 50% mais proteína dos que as mulheres estudadas. 

O ensaio destaca, todavia, que essas conclusões são ainda iniciais, uma vez o número de indivíduos analisados foi pequeno. Para constatar com certeza de que esse era um padrão em Pompeia, seria necessário analisar uma quantidade maior de restos mortais. 

De qualquer forma, a equipe de cientistas levantou algumas hipóteses que pudessem explicar a teoria. Eles especularam, por exemplo, que mulheres e homens teriam dietas diferentes por fazerem suas refeições em espaços distintos, ou por conta de normas socioculturais que definiam que alimentos eram mais aceitáveis para um ou outro sexo. 

Outra teoria diz respeito aos papeis desempenhados por cada grupo dentro da sociedade da época. Homens costumam ocupar posições mais altas na hierarquia e ser mais privilegiados financeiramente, o que lhes daria acesso a comidas mais caras e diversificadas. Outra atividade majoritariamente masculina era a pesca, o que pode indicar que homens tinham mais oportunidade de ingerir peixes do que as mulheres.