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Em SP, padaria recebe ameaças ao mudar o bolo 'nega maluca' para 'bolo afrodescendente'

Estabelecimento recebeu ataques após a mudança; entenda

Redação Publicado em 17/03/2022, às 18h53 - Atualizado às 18h54

Imagem que causou polêmica
Imagem que causou polêmica - Divulgação/Redes sociais

Em São Paulo, uma padaria causou polêmica entre os clientes ao modificar o nome do bolo 'nega maluca' para 'bolo afrodescendente'. Na ocasião em questão, 12 dos frequentadores acabaram ameaçando o dono do estabelecimento.

Conforme repercutido pela Coluna de Mônica Bergamo, na Folha de SP, Mauro Sérgio Proença, dono da padaria Aveiro, localizada na zona sul de São Paulo, explicou que o nome foi alterado após se deparar com um ofício do Sindicato dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo.

Ele foi recomendado a alterar o nome não só do bolo em questão, mas também do 'língua de sogra' e 'maria mole'. Foi justificado que tais nomes não se adequam aos dias atuais.

O comunicado, de acordo com a colunista, diz que os nomes tradicionais 'hoje não são mais aceitos'.

"Como exemplo marcante dessas mudanças de comportamento social, nomes tradicionais [...] que são comercializados há muitos anos em nossas padarias, e que eram vistos até com simpatia, hoje não são mais aceitos e podem levar a constrangimentos e acusações de crime racial, machismo, preconceito", detalha o comunicado.

A imagem que causou polêmica /Crédito: Divulgação/Redes Sociais

Diante do ofício, o dono da padaria acabou por modificar o nome do alimento para 'bolo afrodescendente', assim se remetendo a sua origem. Com isso, ele acreditava que 'não iria causar constrangimento''.

No entanto, a mudança feita por Mauro resultou em um episódio insólito. Isso porque clientes acabaram se dirigindo até a padaria na última terça-feira, 15, com o objetivo de reclamar do novo nome. A ação se deu após uma imagem viralizar nas redes sociais.

Além de pedir a volta do antigo nome do bolo, o dono do estabelecimento relata que os seus funcionários acabaram sendo alvo de ameaças e constrangimento. 

Como consequência, ele acabou alterando o nome do bolo mais vez. Agora, o alimento é chamado de 'bolo chocoball'. 

Proença diz que os funcionários do local foram ameaçados e constrangidos. Na tentativa de amenizar os ânimos dos clientes, ele mudou o nome do doce novamente, desta vez para "bolo chocoball".

"Eles (clientes) achavam que a gente queria polemizar. Não somos obrigados a seguir [a recomendação do sindicato], falei com donos de outras padarias que não mudaram o nome", detalhou ele à coluna.

No entanto, o bolo acabou tendo o nome antigo de volta a etiqueta. E agora se chama oficialmente 'bolo nega maluca'. 

"A gente não sabe se vai para a direita, para a esquerda, se sobe ou se desce", disse Mauro ao explicar que o estabelecimento se encontra 'desorientado'. Além disso, ele explica que vai entrar em contato com o Sindicato dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo a respeito da recomendação.