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Em texto, Ministério da Defesa diz que o Golpe de 64 causou 'fortalecimento da democracia'

Há exatos 58 anos, o golpe militar iniciava os 21 anos de ditadura no Brasil

Redação Publicado em 31/03/2022, às 09h47 - Atualizado às 09h48

Tanques circulam na Avenida Presidente Vargas, Rio de Janeiro, abril de 1964
Tanques circulam na Avenida Presidente Vargas, Rio de Janeiro, abril de 1964 - Arquivo Nacional

No dia em que os brasileiros relembram os 58 anos do Golpe de 64, o Ministério da Defesa publicou um texto onde é dito que a data que iniciou os 21 anos de ditadura militar representou o 'fortalecimento da democracia'. 

O texto da ordem do dia de 31 de março, conforme repercutido pelo G1, será lido unidades militares.

Assinado por Braga Netto, atual ministro da Defesa, e também pelos comandantes de Exército, Marinha e Força Aérea, a publicação diz que o golpe de 64 conduziu um período de 'segurança' e 'crescimento econômico político'. 

"Nos anos seguintes ao dia 31 de março de 1964, a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz no País, no fortalecimento da democracia, na ascensão do Brasil no concerto das nações e na aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita pelo Congresso Nacional", afirma o texto.

Em outro trecho, o texto também diz que precisamos reconhecer "o papel desempenhado por civis e militares".

"Nos deixaram um legado de paz, de liberdade e de democracia, valores estes inegociáveis, cuja preservação demanda de todos os brasileiros o eterno compromisso com a lei, com a estabilidade institucional e com a vontade popular", afirma trecho.

Perseguição e tortura

Nesta quinta-feira, 31, o Brasil deve relembrar que o golpe iniciou o período eternizado nos livros de história como ditadura militar.

Durante o período, o Brasil viveu momentos de perseguição, assassinato de opositores e até mesmo tortura, o que não é mencionado no texto. 

“Muitas vezes também usava palmatória; usava em mim muita palmatória. Em São Paulo usaram pouco esse ‘método’. No fim, quando estava para ir embora, começou uma rotina. No início, não tinha hora. Era de dia e de noite. Emagreci muito, pois não me alimentava direito”, disse Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil que foi perseguida durante o período.