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Em tribunal, ex-soldado da SS nega culpa pelos seus crimes no campo de extermínio de Stutthof

Bruno Dey é acusado de ter causado o óbito de mais de 5 mil pessoas, entre agosto de 1944 e abril de 1945

Vanessa Centamori Publicado em 21/05/2020, às 16h23

Bruno Dey, que foi soldado da SS
Bruno Dey, que foi soldado da SS - Divulgação

Entre agosto de 1944 e abril de 1945, Bruno Dey, que tinha 17 anos na época, serviu como guarda da SS no campo de concentração de Stutthof, a 39 quilômetros da cidade polonesa de Gdańsk, até então ocupada pelos nazistas. Hoje, ele é acusado de ter matado mais de 5 mil pessoas durante esse período. 

Na última quarta-feira, 20, Dey foi a uma audiência em um tribunal alemão, onde negou sua culpa pelos crimes e disse querer "esquecer e nunca voltar" para seu passado. "Não contribuí com nada, além de ficar de guarda. Mas fui forçado a fazê-lo, foi uma ordem", afirmou o ex-soldado. 

Atualmente, o homem de 93 anos está sendo julgado em tribunal para menores de idade, pois cometeu seus crimes ainda na adolescência, quando ingressou na unidade Chefe da Morte da SS de Adolf Hitler, a divisão encarregada de administrar campos de extermínio nazistas.

O campo de concentração nazista de Stutthof, na Polônia / Crédito: Divulgação / Museu Stutthof

 

O advogado de defesa do ex-soldado do Terceiro Reich, Stefan Waterkamp, ​​pediu que um psiquiatra examinasse o estado mental do acusado. Ano passado, seu cliente reconheceu que sabia das câmaras de gás de Stutthof e relatou ter visto na época "figuras emaciadas, pessoas que sofreram".

O último julgamento de Dey foi em outubro de 2019, quando ele deu alguns detalhes sobre seu papel na Segunda Guerra. Entre as 5 mil pessoas possivelmente mortas por consequência de seus atos, muitas faleceram de febre tifoide em condições anti-higiênicas. Mas acredita-se ainda que o ex-militar esteja envolvido na execução direta de 200 indivíduos, envenenados com gás, e mais outros 30 que foram baleados.

Dey, no entanto, afirma em seu favor que pouco antes do fim da guerra, ele teria supostamente protegido os prisioneiros de Stutthof que foram levados em um barco do outro lado do Báltico para Neustadt, Alemanha. O SS teria ajudado as pessoas flageladas para que fossem até a área do porto, quando as tropas britânicas se aproximaram. Depois, ele teria tentado fugir.