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Emmanuel Macron reconhece parcela de responsabilidade da França no genocídio em Ruanda

Em visita à capital ruandesa, Kigali, o presidente pediu perdão pelas ações de seu país durante genocídio ocorrido em 1994

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 27/05/2021, às 08h24

O presidente francês, Emmanuel Macron
O presidente francês, Emmanuel Macron - Getty Images

O presidente da França Emmanuel Macron afirmou nesta quinta-feira, 27, em Kigali que reconhece "as responsabilidades" de seu país no genocídio ocorrido em Ruanda, no ano de 1994. O reconhecimento vem após a França ter se negado durante décadas a reconhecer sua participação no conflito. 

De acordo com a agência Reuters, Macron disse em visita ao memorial do genocídio de Gisozi, onde mais de 250.000 pessoas estão enterradas, que "apenas aqueles que passaram aquela noite podem perdoar e, ao fazê-lo, dar o presente do perdão". Em seguida, o francês declarou: "Venho aqui, com humilde respeito, reconhecer a extensão de nossas responsabilidades."

A visita ocorre meses após o lançamento de um relatório onde fora apontado que uma atitude colonial cegou as autoridades francesas. O documento ainda diz que o governo tinha uma responsabilidade "séria e avassaladora" por não prever a matança, mas absolveu a França da cumplicidade no genocídio, ponto levantado também por Macron.

"Os assassinos que perseguiam os pântanos, as colinas, as igrejas não tinham a face da França. A França não era cúmplice", disse o presidente durante o evento em Kigali.

No entanto, a fala do francês é considerada um grande passo para uma aproximação entre os dois países. “Eu acho que aquele discurso foi um discurso muito forte porque ele pediu perdão de uma maneira sutil, mas de uma maneira forte. Foi sutil, mas substancialmente forte ”, declarou Jean Paul Kimonyo, ex-assessor do presidente de Ruanda, Paul Kagame.