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Empresa pede desculpas por demitir funcionário judeu que chamou invasores do Capitólio de “nazistas”

“Manos, fiquem seguros, os nazistas estão por perto”, disse um funcionário da Github aos colegas de trabalho sobre a invasão do Capitólio por grupos de extrema-direita

Fabio Previdelli Publicado em 18/01/2021, às 12h26

Manifestantes em invasão ao Capitólio
Manifestantes em invasão ao Capitólio - Wikimedia Commons

A Github, gigante do software, se desculpou por demitir um funcionário judeu que advertiu colegas de trabalho a terem cuidado com os “nazistas”, se referindo ao grupo de extrema-direita que invadiu o Capitólio dos EUA nos últimos dias. As informações são da BBC.

A empresa, agora, diz que a decisão foi um erro e que o chefe de RH da companhia renunciou ao cargo após o escândalo. A Github informou que ofereceu o emprego de volta ao funcionário demitido e esclareceu que seus empregados “são livres para expressar preocupações sobre os ‘nazistas’”. 

Na ocasião em questão, o funcionário judeu postou em um canal interno do Github Slack a seguinte mensagem: “Manos, fiquem seguros, os nazistas estão por perto”. Entretanto, o comentário gerou críticas de um colega de trabalho pelo uso na palavra “nazista” para descrever os desordeiros, chamando-a de “conduta desagradável” para o local de trabalho.  

O funcionário judeu, que desejou permanecer com sua identidade anônima, disse ao portal TechCrunch que estava “genuinamente preocupado com seus colegas que trabalhavam na região [do Capitólio], além de seus familiares judeus”. 

Porém, dois dias depois acabou sendo desligado da companhia. A demissão gerou uma onda de protestos internos, com uma carta interna assinada por centenas de funcionários, pedindo para a Github explicar a decisão. 

Em meio ao clamor, a empresa abriu uma investigação interna. “A investigação revelou erros significativos de julgamento e procedimento", escreveu a executiva-chefe Erica Brescia, em um comunicado. "Nosso chefe de RH assumiu a responsabilidade pessoal e pediu demissão do GitHub”. 

Ela também informou que a empresa "reverteu a decisão de se separar do funcionário" e o contatou — mas não está claro se o funcionário deseja retornar após o tratamento que recebeu. A Github também emitiu declarações condenando os supremacistas brancos, o nazismo, o antissemitismo e aqueles que participaram das invasões ao Capitólio.