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Empresa planeja acabar com a dengue através de mosquitos modificados

Com sede na Inglaterra, a Oxitec criou uma nova espécie dos insetos e deve liberar 500 milhões deles nos Estados Unidos

Pamela Malva Publicado em 29/04/2021, às 14h30 - Atualizado em 07/05/2021, às 17h00

Imagem meramente ilustrativa de laboratório
Imagem meramente ilustrativa de laboratório - Divulgação/Pixabay

Com o objetivo de frear a disseminação de doenças como a dengue, zika e febre amarela, a empresa britânica Oxitec criou uma espécie de mosquito modificado que pode exterminar a população do Aedes aegypti. Segundo a Revista IstoÉ, milhares desses novos insetos serão liberados em uma cidade nos Estados Unidos.

A esperança dos cientistas é de que os mosquitos geneticamente alterados, chamados de OX5034, dificultem a sobrevivência das fêmeas Aedes aegypti, que se alimentam de sangue. No total, segundo a Oxitec, o teste espera liberar cerca de 12 mil mosquitos por semana durante aproximadamente 12 semanas.

O problema é que a batalha biológica está gerando bastante medo na população de Islamorada, município das Florida Keys que receberá os insetos modificados.

Para muitas pessoas, existe a possibilidade das fêmeas se adaptarem aos novos machos, o que geraria uma terceira espécie, dessa vez híbrida e mais difícil de conter. Segundo Kenneth Labbe, porta-voz da Agência de Proteção Ambiental, contudo, o teste da Oxitec seria interrompido imediatamente caso uma fêmea modificada fosse encontrada.

Ainda mais, segundo comunicado oficial da própria Oxitec, a solução biológica desenvolvda pela empresa "recebeu a aprovação unânime de sete departamentos e agências do Estado da Flórida (EUA) para que o projeto-piloto fosse realizado no arquipélago de Florida Keys".

Nesse sentido, a tecnologia 'Aedes do BemTM' teve uma "avaliação de risco completa" realizada por instâncias como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e o Departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor da Flórida (FDACS).

Imagem meramente ilustrativa de mosquito / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

A tecnologia no Brasil

A empresa realiza projetos-piloto no Brasil desde 2010. Entre 2015 e 2019, a empresa britânica realizou um experimento parecido no Brasil. Na época, uma primeira geração da tecnologia foi liberada em Piracicaba, um município de São Paulo. Agora, "a Oxitec e a Prefeitura de Piracicaba conversam para retomar o uso da tecnologia a partir de outubro deste ano", explicou a empresa, em comunicado oficial.

Atualmente, o programa já está em sua segunda geração, dessa vez na cidade de Indaiatuba, em São Paulo, e "apresenta eficácia de 95% no controle de mosquitos e plena segurança ao meio ambiente, às pessoas e aos animais, associado a outros programas integrados de manejo de pragas", segundo a Oxitec. Essa é a segunda temporada de testes na região, sendo que a tecnologia já foi aplicada em Indaiatuba entre 2019 e 2020.

Ambas as gerações do projeto, ainda segundo a Oxitec, tiveram "o mesmo patamar de eficácia". Além disso, "mais de 100 estudos, revisados por pares, foram publicados sobre a tecnologia da Oxitec". Tais relatórios, segundo a empresa, forneceram "uma base científica sólida e que comprova a eficácia, sustentabilidade e compromisso [da Oxitec] à resolução de uma importante questão de saúde pública".

Por fim, a Oxitec afirma que "a tecnologia 'Aedes do Bem' pode ser usada como parte de programas integrados de manejo de pragas, podendo coexistir com outras soluções". 


Errata: A reportagem errou ao não citar as aprovações dos testes da Oxitec nos Estados Unidos e ao afirmar que o mesmo programa realizado no Brasil não foi eficaz. O conteúdo foi alterado seguindo o comunicado da própria Oxitec.

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