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Encarregado da Ucrânia no Brasil rebate Bolsonaro: 'Sabemos quem é o agressor'

Questionando a declaração de que a posição brasileira é de ‘neutralidade’, Anatoliy Tkach colocou-se contra essa postura

Redação Publicado em 02/03/2022, às 16h20

O embaixador da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach
O embaixador da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach - Divulgação / Youtube (Band Jornalismo)

O posicionamento do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em relação à invasão russa na Ucrânia tem sido motivo de ampla discussão e diversas interpretações. Ao falar que o Brasil tem uma posição de “neutralidade” e ser interpretado pelo ministro das Relações Internacionais, Carlos França, o chefe de Estado recebeu uma resposta.

Na última terça-feira, 1°, o encarregado de negócios da embaixada, Anatoliy Tkach, criticou as falas de Bolsonaro e França. As declarações do ucraniano foram diretamente em relação à entrevista do ministro à GloboNews, na qual afirma que a postura brasileira é uma de “imparcialidade”.

Nossa posição é de equilíbrio. Ela não é de neutralidade. Eu penso que quando o presidente [Jair Bolsonaro] falou em neutralidade ele pensava em imparcialidade. Eu acho que essa nossa posição é uma posição de equilíbrio, uma posição dedicada à busca do diálogo e da reconciliação", falou França.

De acordo com a cobertura do portal de notícias G1, Anatoliy  posicionou-se sobre o assunto em uma entrevista na sede da embaixada, em Brasília. Tkach foi questionado em relação às frases de Bolsonaro e explicou que “sabemos quem é o agressor. Há vítimas. Não entendo como que imparcialidade pode se aplicar nessa situação".

Além disso, Anatoliy explicou que o presidente brasileiro deveria dar uma palavra de solidariedade à Ucrânia. Isso ocorre após Jair Bolsonaro falar que não tinha o que ser dito para Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano.

Porém, Anatoliy focou parte de suas declarações na ideia de que laços comerciais com a Rússia devem ser cortados.

Apelamos a todos para cortar todos os laços comerciais com a Rússia. Todos os laços. Fazer negócios com a Rússia agora significa financiar agressão, crimes de guerra, desinformação, ataques cibernéticos e mesmo o líder russo Vladimir Putin”.

Anatoliy destacou a importância de se expressar claramente contra a invasão em organizações internacionais como a ONU, no entanto, é impossível, em sua opinião, ignorar a importância que uma declaração oficial do governo do Brasil teria em deixar clara a postura da nação frente ao conflito.

A posição na ONU é muito importante para qualificar as ações da Rússia como inapropriadas e gostaríamos de ter uma posição mais clara e mais certa do governo do Brasil. Não só na ONU. Na ONU, ainda não vai resolver o problema. Queremos resolver os problemas já, porque estamos perdendo pessoas, militares e civis. A nossa intenção é terminar a guerra o mais rápido possível”, opinou.