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Era mais fácil dar à luz há 2 milhões de anos, revela estudo

Pesquisadores encontraram uma resposta surpreendente a partir de uma reconstrução 3D da pélvis de uma Australopithecus sediba

Victória Gearini Publicado em 23/09/2019, às 15h44

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Creative Commons / Lee Berger

Pesquisadores norte-americanos criam um protótipo da pelve de uma Australopithecus sediba, subtribo que habitou na Terra por volta de dois milhões de anos. O estudo mostra como era mais fácil dar a luz, quando comparado com os dias atuais. 

Segundo os especialistas, conforme o ser humano evoluiu e aprendeu a andar sobre duas pernas, o canal pélvico estreitou. Além disso, eles disseram que conforme a evolução da espécie, as cabeças dos bebês cresceram consideravelmente.

Crânio de um adulto Australopithecus sediba, encontrado perto de Joanesburgo, África do Sul / Crédito: Creative Commons e Lee Berger

 

A descoberta foi possível graças a estudos baseados em espécimes fósseis. A antropóloga da Universidade de Boston, Natalie Laudicina, disse que a reconstrução foi realizada com um modelo 3D, capaz de criar a pélvis de uma fêmea.

A pesquisadora explica que Australopithecus sediba não possuía uma estrutura óssea capaz de colidir com o canal na hora do parto. "A largura fetal da cabeça e dos ombros tem amplo espaço para atravessar até as dimensões mais estreitas do canal de parto materno", disse Natalie Laudicina em entrevista à BBC.

Ela reforça que isso não significa que o parto foi ficando mais difícil ao longo do tempo. De acordo com a especialista, foi comprovado que a espécie da Lucy (Australopithecus afarensis), que viveu anteriormente, já teria passado por complicações no parto.

Reprodução 3D da pelve feminina de uma Australopithecus sediba / Crédito: Creative Commons e Lee Berger

 

Para explicar este fenômeno, ela exemplifica o pato moderno. Algumas mulheres possuem um parto mais rápido e fácil, enquanto outras podem levar até dois dias em trabalho de parto. “A morfologia de cada espécime exibe seu próprio conjunto de desafios obstétricos”, explica a arqueóloga.