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Escravidão moderna: Em Mato Grosso do Sul, indígenas são resgatados de fazenda

As vítimas foram encontradas em uma situação humilhante no local, segundo coluna

Redação Publicado em 05/01/2021, às 10h04 - Atualizado às 19h14

Local onde as vítimas foram resgatadas
Local onde as vítimas foram resgatadas - Divulgação: AFT

Um episódio inacreditável foi revelado numa fazenda pecuária localizada em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul. De acordo com informações da Coluna de Leonardo Sakamoto, no UOL, nove indígenas Caiová (incluindo dois adolescentes) foram tirados de condições decadentes, que compreendem trabalho escravo.

O resgate englobou a Polícia Federal, que após receber denúncias de autoridades da Polícia Militar Ambiental e auditores fiscais do trabalho, se deparou também com um total de seis paraguaios e dois brasileiros. Todos trabalhavam em condições análogas a escravidão moderna.

A coluna também relata que Antônio Maria Parron, atualmente auditor fiscal, se deparou com essas pessoas em barracas de lona em um trágico estado, sem ao menos contar com um banheiro, recorrendo ao mato para aliviar as necessidades. Já para alimentação diária, limpeza de roupas e banho, recorriam a água do córrego.

As investigações também revelaram que as vítimas foram contaminadas com agrotóxicos: trabalhavam com o produto sem proteção essencial.

Diante do resgate, eles receberam os valores que compreendem os serviços realizados, contudo, a Coluna relata que somente quatro dessas pessoas (paraguaios) foram até o local para receber o pagamento.

Além de receber parcelas do direito que compreende o seguro-desemprego, que essas pessoas podem receber desde 2003, autoridades estão se empenhado para emitir a documentação das vítimas.

Quanto aos donos da fazenda, a reportagem explica que Paulo Douglas Almeida de Moraes, atual procurador do Ministério Público do Trabalho da 24ª região, declarou que já ocorreu uma audiência inicial com os responsáveis pela propriedade. Seguindo a Reforma Trabalhista, as vítimas teriam que receber em torno 140 mil reais cada, diante das condições deploráveis. 

**Errata: a reportagem errou ao indicar que o caso aconteceu em Minas Gerais. As informações da chamada foram atualizadas.