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Esculturas mesoamericanas antigas podem ser prova da universalidade de expressões emocionais

Os resultados da análise das estátuas apoiam a hipótese de que os sentimentos podem ser expressos de forma não verbal e transcendem a cultura

Giovanna de Matteo Publicado em 25/08/2020, às 09h00

Esculturas mesoamericanas antigas
Esculturas mesoamericanas antigas - Divulgação / Alan S. Cowen et al. 2020

63 esculturas mesoamericanas foram analisadas numa pesquisa pelo neurocientista Alan Cowen, que tinha como objetivo averiguar a universalidade das expressões humanas faciais, ou seja, buscar respostas a respeito de como as emoções podem ser naturalmente humanas, independente da cultura e ambiente. O artigo foi publicado na revista Science Advances.

As escuturas exibiam expressões faciais em contextos identificáveis, como por exemplo: uma mãe sorridente segurando um bebê. Em seguida, Cowen separou digitalmente a expressão da escultura de seu contexto, isto é, uma imagem apenas do sorriso e uma imagem da mãe segurando o bebê.

Após isso feito com todas as estátuas, os pesquisadores pediram aos participantes dos EUA que rotulassem cada expressão facial de uma escultura com a emoção passada e, depois, rotulassem as imagens do contexto de uma estátua com a emoção que presumiriam ver.

As esculturas que retratavam algumas emoções passaram no teste com esteriótipos de expressão facial ("exultante", por exemplo, para a expressão facial da mãe), correspondendo às expectativas dos participantes que só viram o contexto (uma mãe segurando um bebê).

Isso sugere que as expressões emocionais podem ser identificadas por meio de proposições humanas universais, mesmo que não apresente uma linguagem comum. “Eventualmente estaríamos interessados ​​em replicar este trabalho em outras culturas”, disse Cowen, e ainda afirma que "por enquanto, estamos fortemente focados no estudo da expressão emocional na vida cotidiana em muitos países, com o auxílio de ferramentas de aprendizado de máquina".